Em dia de correção, juros futuros de curto prazo sobem

A persistente piora dos índices de inflação e a cautela com a pesquisa Focus justificam o movimento de alta

Denise Abarca, da Agência Estado,

23 de abril de 2010 | 16h55

O mercado de juros inverteu o movimento registrado nas últimas sessões e as projeções dos contratos futuros de depósito interfinanceiro (DI) de curto prazo encerraram em alta a negociação normal na Bolsa de Mercadorias & Futuros (BM&F),enquanto os DI de longo prazo de vencimento recuaram. O DI com vencimento em junho de 2010 (151.395 contratos negociados) projetava taxa de 9,168% ao ano, de 9,13% no ajuste de ontem; o DI de julho de 2010 (345.670 contratos negociados) subia de 9,39% para 9,44% ao ano; e o DI com vencimento em janeiro de 2011 (266.140 contratos negociados) avançava de 10,69% para 10,73% ao ano; o DI de janeiro de 2012 (91.380 contratos negociados) estava em 12,07% ao ano, de 12,09% ontem; e o DI com vencimento em janeiro de 2014 (24.675 contratos) marcava 12,64% ao ano, de 12,80% ontem.

 

A agenda doméstica hoje foi novamente fraca - pela manhã a FGV informou que o Índice de Preços ao Consumidor - Semanal (IPC-S) ficou em 0,76% até a quadrissemana encerrada em 22 de abril, ante 0,80% na quadrissemana finalizada em 15 de abril. O indicador, entretanto, não teve força para conduzir os negócios. A trajetória dos curtos acabou sendo traçada em função de fatores como a persistente piora dos índices de inflação reproduzidos no monitor da FGV e a cautela com a pesquisa Focus que será divulgada na segunda-feira, que pode trazer avanço na mediana para a taxa Selic em abril. Até agora, os economistas, segundo o levantamento, estão prevendo alta de 0,5 ponto para a taxa básica na reunião do Copom na semana que vem, para 9,25% ao ano, mas o mercado desconfia que a próxima pesquisa já poderá trazer a mediana em 9,50%. A recomposição de prêmios nos curtos voltou a dar força à aposta de alta de 0,75 ponto porcentual na taxa básica em abril.

 

Consequentemente, esse movimento aliviou os vencimentos longos, que também sofreram influência da melhora de humor externa. A notícia de que a Grécia vai ativar a ajuda oferecida pela União Europeia e pelo FMI afastou um pouco o temor de default do país e deixou os investidores estrangeiros, que têm presença mais constante nos contratos longos, mais confortáveis para reassumirem posições vendidas.

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