Epitácio Pessoa/AE
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Dólar sobe 1,14% com exterior e Bolsa perde patamar dos 80 mil pontos

Após acumular perdas de mais de 2% nos dois pregões passados, dólar teve alta; Eletrobrás foi destaque negativo da Bolsa ao fechar em baixa de 5,97%

Paula Dias e Altamiro Silva Junior, O Estado de S.Paulo

26 Julho 2018 | 17h49

O dólar subiu 1,14% nesta quinta-feira, voltando a se aproximar do patamar de R$ 3,75, num movimento de correção e acompanhando o mercado externo. Ainda está no foco dos investidores a cena política local, na reta final para os partidos fecharem suas coligações para as eleições de outubro. Já a Bolsa fechou em baixa de 1,01% e perdeu o patamar dos 80 mil pontos. O Ibovespa, índice que reúne as ações mais negociadas na Bolsa de Valores de São Paulo, fechou o pregão aos 79.405,34 pontos.

“O dólar caiu muito nos últimos dias, era natural uma correção, até pelos níveis de preços: R$ 3,70 chama comprador”, comentou o gestor de derivativos de uma corretora nacional ao citar o noticiário político doméstico recente.

Nesta manhã, os partidos do blocão, grupo formado por DEM, PP, PR, PRB e Solidariedade, anunciaram formalmente o apoio ao pré-candidato do PSDB à Presidência, Geraldo Alckmin. O mercado já havia reagido bem a essa notícia, conhecida no final da semana passada, quando trouxe mais ânimo aos investidores, que consideram o tucano mais comprometido com as reformas econômicas, sobretudo de cunho fiscal.

Também pesou nos negócios desta quinta-feira a reunião de política monetária do Banco Central Europeu. Os juros mantidos em níveis baixos e o discurso mais ameno do presidente da instituição, Mario Draghi, quanto a necessidade de elevação dos juros trouxeram incerteza para os mercados.

Dólar

Após cair nesta quarta-feira, 25, para o menor nível em dois meses, o dólar voltou a subir no pregão desta quinta-feira, 26, acompanhando o movimento externo da moeda, que ganhou valor ante as principais divisas de países desenvolvidos e emergentes. As mesas de operação seguiram monitorando o cenário político, em dia de anúncio oficial do apoio dos partidos do Centrão ao pré-candidato Geraldo Alckmin, mas o noticiário político não chegou a influenciar os preços. O dólar à vista terminou o dia em alta de 1,14%, a R$ 3,7467, bem perto da máxima da sessão, de R$ 3,7477, batida pouco antes do encerramento dos negócios.

O principal evento do dia no exterior foi a reunião de política monetária do Banco Central Europeu (BCE), que manteve os juros em níveis baixos e os estímulos extraordinários para incentivar a economia. Após a reunião, em entrevista à imprensa, o presidente do BCE, Mario Draghi, disse que ainda são necessários estímulos significativos na zona do euro e houve aumento da incerteza, principalmente por conta do risco de maior protecionismo na economia mundial.

As declarações de Draghi levaram o dólar a se fortalecer, enquanto o euro batia mínimas ao longo do dia ante a moeda dos EUA. O índice DXY, que mede o dólar ante uma cesta de outras moedas fortes, encerrou com ganho de 0,41%, aos 94,75 pontos. O real, a lira turca e o rand sul-africano foram as divisas entre os emergentes que mais perderam valor ante o dólar.

Para o estrategista de renda fixa do banco Nordea, Jan von Gerich, o discurso de Draghi foi "dovish", ou seja, favorável a manutenção de juros baixos, e sinalizou que o BCE vai continuar sendo "prudente, persistente e paciente".

O dólar à vista chegou a cair pela manhã, batendo na mínima de R$ 3,6996, mas em seguida engatou alta e, na parte da tarde, renovou várias máximas. Para o gestor da Western Asset, Adauto Lima, o câmbio no Brasil basicamente acompanhou o movimento do dólar no exterior. Ele ressalta que o apoio do Centrão a Alckmin chegou a ajudar a moeda em algumas sessões nos últimos dias, mas não houve novidades sobre o assunto e segue indefinido quem será o vice da chapa do tucano.

Para a consultoria inglesa de risco político Control Risks, a aliança com o Centrão "aumenta substancialmente" a chance de Alckmin melhorar seu desempenho nas pesquisas de intenção de voto, na medida que dará ao tucano tempo significativo a mais de exposição na propaganda eleitoral gratuita no rádio e na TV. A expectativa é que a intenção de voto em Alckmin deve começar a subir quando a campanha eleitoral começar oficialmente, em 16 de agosto. A consultoria vê "chance confiável" do ex-governador de São Paulo ir para o segundo turno.

Bolsa

Depois de ter acumulado alta de 10% em julho e de voltar ao patamar dos 80 mil pontos, o Índice Bovespa cedeu a um movimento de realização lucros e terminou a quinta-feira em queda de 1,01%, aos 79.405,34 pontos. A falta de notícias no cenário eleitoral doméstico e o comportamento instável das bolsas de Nova York favoreceram o movimento de venda de posições, tido pelos analistas como saudável, considerando as altas recentes.

As ordens de venda atingiram as principais 'blue chips' do mercado de ações -- maiores empresas da Bolsa de Valores --  à exceção de Vale e Ambev, cujos balanços trimestrais foram bem avaliados. Ambev ON saltou 5,24% após dados que surpreenderam o mercado. Vale ON ganhou 1,99%, reagindo aos resultados do trimestre e ao anúncio de um programa de recompra de ações ordinárias e ADSs no valor de até US$ 1 bilhão. Já os papéis do setor financeiro estiveram entre as quedas mais importantes, no dia em que o Bradesco divulgou resultados que ficaram dentro das estimativas.

Pela manhã, o Ibovespa chegou a subir 0,46%, ao atingir a máxima de 80.589 pontos. À tarde, a queda chegou a 1,42%, quando o índice bateu a mínima de 79.081 pontos. Mesmo com o resultado desta quinta-feira, 26, o Ibovespa ainda acumula ganho de 9,13% no mês, sustentada em grande parte pelo restabelecimento do fluxo de recursos externos. Até a última terça-feira, 24, os ingressos líquidos no mês somavam R$ 5 bilhões.

Segundo Rafael Bevilacqua, estrategista da Levante Ideias de Investimento, a resistência psicológica ao nível dos 80 mil pontos pode ter sido o gatilho para alguns investidores iniciarem a realização de lucros. Ele também apontou o cenário não muito positivo nas bolsas de Nova York, com as ações do Facebook caindo mais de 20%, após um balanço com números abaixo do estimado por analistas. /COM REUTERS

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