Em dia de forte volatilidade, dólar cai 1,76% e fecha a R$ 3,23

Moeda começou a sexta na maior cotação desde abril de 2003, mas embalou no clima positivo no exterior e passou a cair

Fabrício de Castro, O Estado de S. Paulo

20 de março de 2015 | 09h49

Atualizado às 16h40

O clima positivo no exterior, marcado pela busca por ativos de maior risco, abriu espaço hoje para a queda firme do dólar ante o real no Brasil. Após uma manhã de volatilidade intensa, com oscilação de mais de R$ 0,10, a moeda americana se firmou em baixa em sintonia com o cenário internacional, onde as negociações entre autoridades da Grécia e da zona do euro parecem estar avançando. E após o dólar ter atingido ontem o maior nível em quase 12 anos no Brasil, também havia espaço para realização de lucros (venda de moeda). No fim dos negócios, o dólar cedeu 1,76%, aos R$ 3,2370. 

Pela manhã, o dólar oscilou entre altas e baixas e chegou a marcar, às 9h31, a máxima de R$ 3,3140 (+0,58%) no balcão. No exterior, o viés já era claramente de baixa para o dólar, com os mercados enxergando um futuro menos nebuloso para a Grécia. Hoje, o país pagou uma parcela de 340 milhões de euros de um empréstimo com o Fundo Monetário Internacional (FMI) e o primeiro-ministro Alexis Tsipras afirmou que a "Grécia sai mais otimista do encontro" com líderes europeus. A Alemanha ainda é um obstáculo, sendo que a chanceler Angela Merkel aguarda uma lista de reformas da Grécia para a próxima semana, mas já se mostrou aberta à possibilidade de desembolsos antecipados para Atenas.

Ainda pela manhã, a moeda se firmou no terreno negativo também no Brasil, com a realização de lucros predominando. E exportadores também aproveitaram para internalizar recursos quando o dólar no balcão superou os R$ 3,31. 

A pressão baixista aumentou durante discurso da presidente Dilma Rousseff, no Rio Grande do Sul. Entre outras coisas, ela voltou a defender os ajustes fiscais e citou que destacou que o Orçamento da União foi aprovado e, "assim que sancionado, vamos fazer contingenciamento".

Dilma destacou ainda que as flutuações cambiais não quebram o País - ao contrário do que ocorria no passado - e que quanto mais rápido o ajuste for feito, mais rapidamente o País sairá da situação de restrição. 


Neste cenário, o dólar à vista de balcão marcou a mínima de R$ 3,2040 (-2,76%) às 13h34. Da máxima vista mais cedo para esta mínima, a moeda oscilou -3,32%, num claro sinal de forte volatilidade. Profissionais ouvidos pelo Broadcast lembraram que especuladores têm se aproveitado para puxar as cotações para um lado ou para outro em função da crise política. À tarde, houve certa desaceleração da baixa das cotações, em um movimento considerado normal pelo mercado.

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