Marcello Casal Jr/Agência Brasil
Marcello Casal Jr/Agência Brasil

Em dia de volatilidade, dólar cai 0,2% e fecha abaixo de R$ 3,90

No mercado de ações, o Ibovespa acompanhou as bolsas de Nova York e terminou a segunda-feira em queda de 1,2%, aos 86,4 mil pontos

Altamiro Silva Junior e Paula Dias, O Estado de S.Paulo

17 Dezembro 2018 | 19h11

A última semana de negócios antes das festas de fim de ano começou com volatilidade alta no câmbio, em dia marcado por volume mais tímido de negócios. Pela manhã, fatores técnicos predominaram e, diante da maior procura pela moeda para compromissos comuns nos meses de dezembro, como envio de recursos de empresas para as matrizes no exterior, o dólar subiu e chegou a encostar em R$ 3,93, destoando do comportamento de outros emergentes.

Na parte de tarde, o dólar passou a cair, influenciado pela fraqueza da moeda norte-americana no exterior, batendo na mínima do dia, em R$ 3,87. No final da sessão, o dólar à vista encerrou em R$ 3,8993, com baixa de 0,19%. A liquidez reduzida e o mau humor nas bolsas de Nova York foram elementos determinantes para a queda de 1,20% registrada pelo Índice Bovespa, que fechou aos 86.399,68 pontos.

Com a maior procura por dólar no mercado, o Banco Central voltou a oferecer liquidez em dois leilões de linha (venda de dólar à vista com compromisso de recompra), que somaram US$ 1 bilhão e foram integralmente tomados pelo mercado. Operadores ressaltando que diante da maior demanda, mais leilões podem ser suficientes até a próxima sexta-feira. "Na semana que vem, a situação se normaliza e a pressão já se reduz", ressalta o superintendente de câmbio da corretora Intercam, Jaime Ferreira. Ele prevê que o dólar deve fechar o ano na casa dos R$ 3,85 a R$ 3,87.

O volume mais fraco de negócios, sobretudo no mercado futuro, ressaltam operadores, é explicado pela cautela das mesas de operação antes do calendário agitado até sexta-feira, que tem como principal evento a reunião de política monetária do Federal Reserve (Fed, o banco central norte-americano), que começa nesta terça-feira. O presidente dos EUA, Donald Trump, voltou a pedir que o Fed não volte a elevar os juros. 

O economista do ABN Amro, Bill Diviney, ressalta em relatório que, apesar do apelo de Trump, é amplamente esperado mais uma alta de juros nos EUA e, por isso, o foco principal do mercado será ver como o comunicado final da reunião vai incorporar as mudanças de tom nas declarações recentes dos dirigentes do BC americano, que passaram a adotar postura mais favorável a juros baixos, em meio a preocupações com a desaceleração da economia mundial. O próprio economista ressalta que as declarações levaram o ABN a reduzir a aposta para apenas uma alta de juros nos EUA em 2019. 

No mercado doméstico, o noticiário seguiu mais esvaziado e o destaque foram declarações do futuro ministro da Economia, Paulo Guedes, bem recebidas pelas mesas de câmbio. Ele disse que a cessão onerosa vai garantir "dinheiro para todos" no ano que vem, mas é preciso ajuda dos Estados e municípios, no apoio a reformas. Guedes defendeu acelerar a reforma do atual sistema de previdência, de repartição, com a adoção do regime preferido por ele, o de capitalização, "para gerações futuras". 

Bolsa

Sem fatos de maior impacto no ambiente político doméstico, o cenário internacional foi mais uma vez a principal referência para os negócios. Lá fora, continuaram a pesar as dúvidas quanto ao ritmo da economia americana, às vésperas da reunião de política monetária do Federal Reserve. 

O Ibovespa chegou a ensaiar uma alta pela manhã, quando atingiu a máxima de 87.819,90 pontos (+0,42%), mas perdeu o fôlego ainda com a indicação de abertura negativa em Nova York. As sucessivas mínimas do dia ocorreram durante todo o período da tarde, influenciadas principalmente pelas ações do setor financeiro, bloco de maior peso na carteira do índice. 

O volume financeiro somou R$ 17,8 bilhões, incluindo os R$ 6,1 bilhões movimentados no exercício de opções sobre ações.

Na análise por ações, as quedas que mais exerceram influência sobre o comportamento do Ibovespa foram as do setor financeiro, com destaque para B3 ON (-2,01%), Itaú Unibanco PN (-2,67%) e Bradesco PN (-1,95%). Na ponta oposta estiveram as ações de mineração e siderurgia, lideradas por Vale ON (+0,73%), acompanhando a recuperação de preços do minério de ferro e suas pares no exterior.

As ações da Petrobrás enfrentaram volatilidade, com alternância de sinais, ao sabor do exercício de opções - pela manhã - e das oscilações dos preços do petróleo. Com o temor de desaceleração da economia global, a commodity teve fortes perdas. Assim, os papéis ON e PN da estatal terminaram o dia com baixas de 1,06% e 0,78%, respectivamente. 

No noticiário corporativo, os destaques estiveram concentrados no setor aéreo. Embraer ON teve alta de 2,51% com a aprovação da parceria da fabricante brasileira com a Boeing. O BTG Pactual reiterou a recomendação de compra de Embraer. Smiles ON também subiu 2,51% após a sua controladora Gol (+0,17%) informar que revisará o primeiro projeto de incorporação da empresa.

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