Epitácio Pessoa/Estadão
Epitácio Pessoa/Estadão

Em dia de volatilidade, dólar cai 0,38% e fecha cotado a R$ 4,07

Moeda americana chegou a bater em R$ 4,14 pela manhã, mas perdeu força na parte da tarde; no mercado de ações, Ibovespa subiu 0,83% com apetite de investidor estrangeiro

Altamiro Silva Junior e Paula Dias, O Estado de S.Paulo

25 Setembro 2018 | 18h51

O mercado de câmbio abriu a terça-feira, 25, tenso e o dólar chegou a bater em R$ 4,14 pela manhã, mas o movimento perdeu força na parte da tarde e a moeda americana passou a cair, batendo em R$ 4,06.

A nova pesquisa do Ibope, mostrando estagnação de Jair Bolsonaro (PSL) e crescimento de Fernando Haddad (PT) foi o principal fator de nervosismo nas mesas de operação na primeira parte dos negócios. Mas um movimento de venda da moeda ajudou a esvaziar a pressão de alta, de acordo com operadores. O dólar à vista terminou o dia cotado em R$ 4,0722, queda de 0,38%

A alta volatilidade vista no câmbio deve marcar os negócios até as eleições e a expectativa agora é por novas pesquisas eleitorais, que inclui novo levantamento do Datafolha, que sai na noite da sexta-feira. O Ibope, além de mostrar Bolsonaro estagnado em 28% das intenções de voto, apontou que ele não ganharia de Haddad no segundo turno.

"Como já era previsível toda vez que tem uma eleição presidencial no Brasil, há a expectativa de bastante volatilidade e é exatamente o que estamos vendo", afirma o analista da gestora Dahlia Capital, Alessandro Arlant, que participou hoje de evento da Moody's para discutir as eleições brasileiras. Ele ressalta que a elevada polarização da disputa dificulta a previsão de quem vai vencer nas urnas e, principalmente, qual será a política do novo presidente, principalmente para resolver o problema fiscal. 

Nesta terça-feira, o volume de negócios no mercado de câmbio ficou acima da média dos últimos dias, com US$ 20 bilhões no mercado futuro e US$ 1,3 bilhão no segmento à vista. O dólar para outubro fechou com queda de 0,40%, a R$ 4,0770.

A elevada incerteza nos mercados sobre as eleições e os rumos da política econômica pode pressionar ainda mais o dólar, afetando a inflação e exigindo que o Banco Central eleve os juros para segurar os preços, disse nesta terça-feira a vice-presidente e analista sênior da Moody's, Samar Maziad.

No exterior, o dólar teve comportamento misto ante emergentes hoje. Subiu mais de 2,5% perante o peso da Argentina, após o presidente do BC local, Luis Caputo, surpreender a Casa Rosada e deixar o cargo. A moeda americana também subiu na Turquia, México e índia, mas caiu na África do Sul e na Rússia. Na quarta-feira, 26, os dirigentes do Federal Reserve (Fed, o banco central norte-americano) terminam a reunião de política monetária de setembro, que deve elevar novamente os juros no país.

Bolsa fecha com ganho de 0,83%

A volatilidade deu o tom dos negócios no mercado brasileiro de ações, com o Ibovespa oscilando bastante. Pela manhã, o cenário eleitoral polarizado e indefinido pesou negativamente. À tarde, predominou o apetite do investidor estrangeiro por ativos emergentes e o índice consolidou viés positivo. Ao final dos negócios, o Ibovespa marcou 78.630,14 pontos, com ganho de 0,83%. Os negócios somaram R$ 9,9 bilhões.

Entre a mínima de 77.005 pontos (-1,26%) e a máxima, de 78.688 (+0,90%), o Ibovespa oscilou em um intervalo de 1.683 pontos.

Operadores apontaram forte participação de corretoras estrangeiras nas ordens de compra, principalmente de ações dos setores de commodities energéticas e metálicas. Vale ON, ação de maior peso na composição do Ibovespa, renovou máximas até os últimos minutos de negociação e terminou em alta de 3,32%. Mais cedo, a agência de classificação de risco Moody's afirmou que manteve a perspectiva estável para a indústria siderúrgica brasileira no período de 12 a 18 meses, ou até o início de 2020. Gerdau PN subiu 5,43%.

Favorecidas pela alta dos preços do petróleo, Petrobras ON e PN subiram 0,52% e 0,40%, respectivamente. As bolsas de Nova York pouco influenciaram os negócios por aqui, com os índices de Wall Street oscilando majoritariamente em baixa.

"No pregão de hoje o movimento do mercado internacional acabou se sobressaindo ante o cenário eleitoral doméstico, basicamente por dois vetores: commodities em alta e fortalecimento de moedas emergentes", disse Raphael Figueredo, analista da Eleven Financial. 

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