Em dia tumultuado, Petrobrás fecha com mais de 2% de queda

Em dia tumultuado, Petrobrás fecha com mais de 2% de queda

Papéis da estatal foram negociados em baixa de mais de 4% na maior parte desta sexta, em que só começaram a ser negociados por volta das 11h30; Ibovespa fechou com recuo de 0,14%

Fabrício de Castro, Claudia Violante , O Estado de S. Paulo - Atualizado às 18h30

14 de novembro de 2014 | 11h43


Uma verdadeira enxurrada de notícias ruins para a Petrobrás pesou sobre os papéis da petrolífera nesta sexta-feira e, em paralelo, sobre a Bolsa brasileira durante boa parte do dia. Mas o Ibovespa desacelerou as perdas durante o período da tarde, com a Vale servindo de refúgio de parte dos investidores. Siderúrgicas e alguns bancos também mostraram força e, no fim, a Bolsa registrou queda de 0,14%, aos 51.772,40 pontos.

Na manhã desta sexta-feira, 14, a Polícia Federal deflagrou a sétima fase da Operação Lava Jato e o ex-diretor da Petrobras Renato Duque foi um dos primeiros a serem presos. Petrobrás terminou em baixa de 2,67% na ação ON  e de 2,94% na PN.  Ao se desfazerem de Petrobras, muitos investidores 'correram' para Vale, que superou mais de 2% de ganhos e influenciou a alta do setor siderúrgico. A ação ON avançou 2,40% e a PNA, 2,22%

Na mínima da sessão, marcou 50.886 pontos (-1,85%) e, na máxima, 51.834 pontos (-0,02%). Na semana, acumulou -2,72%. No mês, cai 5,23% e, no ano, avança 0,52%. O giro financeiro totalizou R$ 6,79 bilhões (dados preliminares).  

O mal estar do mercado com a Petrobrás não é de hoje. Só para citar o caso mais recente, referente ao balanço da empresa, no começo deste mês a auditoria externa contratada pela estatal, a PriceWaterhouseCoopers, exigiu a saída de Sérgio Machado da presidência da Transpetro. Foi uma das condições para auditar o balanço em razão das denúncias de corrupção e revelações feitas pelo ex-diretor de Abastecimento da estatal Paulo Roberto Costa, dentro da operação Lava Jato. A empresa rapidamente o substituiu por Claudio Ribeiro Teixeira Campos, que está interino, já que Machado tirou licença de 31 dias.  

O Conselho de Administração da estatal havia se reunido no dia 31 de outubro, depois, no dia 4 e ficou decidido que hoje o balanço trimestral seria apresentado à empresa para posterior divulgação - normalmente, a estatal divulga os números no mesmo dia após o fechamento do mercado. Ontem, no entanto, já havia circulado rumores de que a divulgação seria adiada. E isso foi confirmado mais tarde, quando a PWC avisou que não auditaria os números. Os papéis, no entanto, já tinham fechado com forte baixa na quinta-feira e tiveram queda firme em Nova York ainda ontem. Nesta sexta, o movimento se repetiu em Wall Street, quando a queda nos ADRs se aproximou de 10%. 

Na abertura do Ibovespa, a retração da Petrobrás até que foi relativamente contida, dado o mau humor do mercado no momento. O call de abertura foi adiado e a ação inaugurou os negócios pouco depois das 11h30, com perdas fortes e bem perto das mínimas da sessão. 

A avaliação do mercado é de que o adiamento do balanço pegou mal não só para a estatal como também para o governo, mas a agência de classificação de risco S&P aliviou um pouco o sentimento negativo ao afirmar que o rating da empresa acompanha o do governo e que, no momento, não há perspectiva de redução. Segundo a agência, o adiamento do balanço não impacta o rating da companhia.

Apesar disso, a SEC, a CVM norte-americana, pode vir a interromper a negociação dos ADRs, além de a Petrobrás poder receber multas e sanções, caso falhe em apresentar informações periódicas e de qualidade dentro do prazo previsto na legislação. Vale destacar que a Petrobrás está sujeita à fiscalização da instituição e ainda à lei Sarbanes-Oxley, criada em 2002 para aumentar o cerco às empresas de capital aberto e que exige maior transparência e governança corporativa. 

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