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Em dia volátil, dólar sobe para R$ 3,24, mas acumula queda na semana

Moeda avançou com recuo do petróleo e discurso duro de dirigente do BC americano, mas perda na semana foi de 0,76%; Bolsa caiu 0,50%, também influenciada pelo cenário externo

Lucas Hirata. Paula Dias, O Estado de S.Paulo

23 Setembro 2016 | 18h51

O dólar avançou aos R$ 3,24 no mercado à vista, após manhã de instabilidade quando testou o nível de R$ 3,20. O avanço da divisa norte-americana se apoiou, inicialmente, no posicionamento mais "hawkish" de um dirigente do Federal Reserve e se consolidou com a acentuada queda do petróleo, o que também gerou pressão contrária às moedas de mercados emergentes e ligadas a commodities. De acordo com profissionais ouvidos pelo Broadcast, o movimento por aqui contou ainda com a zeragem de posições vendidas, em meio a dúvidas sobre o espaço adicional de queda no dólar. 

No segmento à vista, o dólar subiu pelo segundo dia consecutivo e fechou cotado aos R$ 3,2423 (+0,46%). Apesar da sequência de avanços e do ganho na segunda-feira, a divisa norte-americana acumulou queda de 0,76% na semana, influenciada principalmente pela baixa trazida pela manutenção de juros do Federal Reserve na quarta-feira. Na mínima do dia, a moeda chegou aos R$ 3,2030 (-0,76%). Nos maiores patamares, a divisa negociada à vista no balcão chegou aos R$ 3,2471 (+0,61%). De acordo com dados registrados na clearing da BM&F Bovespa, o volume de negócios somou US$ 934,198 milhões. 

A Bovespa, também influenciada pelo exterior, fechou em queda de 0,50%, aos 58.697 pontos. A Bolsa vinha de quatro altas consecutivas, garantidas pelo noticiário essencialmente positivo, mas a instabilidade da commodity deflagrou um movimento de ajustes que atingiu ações da Petrobrás e de outros setores. O volume de negócios somou R$ 5,58 bilhões, abaixo da média diária de setembro (R$ 6,9 bilhões). 

A principal preocupação no mercado quanto ao petróleo é que a reunião de integrantes da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep) na próxima semana acabe sem acordos sobre limites na oferta. Essa tensão aumentou ao longo do dia por causa de notícias sobre divergências dentro do cartel de 14 nações.

Ainda no exterior, o presidente da distrital do Federal Reserve em Boston, Eric Rosengren, voltou a trazer estresse no mercado de câmbio, apesar do alívio com a decisão do Federal Reserve há dois dias e a leitura deixada na ocasião de que o aperto será gradual nos Estados Unidos. Rosengren disse que não elevar os juros básicos agora coloca a expansão da economia norte-americana em risco, ao gerar "desequilíbrios significativos" que podem levar a uma recessão. 

Mercado de ações. A queda das ações da Petrobrás foi responsável por boa parte da baixa do Ibovespa. Com o petróleo registrando quedas de até 4% e as bolsas americanas também operando em queda, as ações da estatal acompanharam o movimento. 

As ordens de venda foram atribuídas principalmente a uma realização de lucros, uma vez que o noticiário em torno da companhia tem sido positivo. No início da semana, por exemplo, o mercado recebeu positivamente os termos do plano de investimentos da companhia para os próximos anos, contemplando redução de investimentos e endividamento. Ao final dos negócios, Petrobrás ON e PN fecharam em queda de 3,67% e 2,21%, respectivamente. Mesmo com o resultado de hoje, as ações ordinárias da companhia contabilizam alta de 74,80% em 2016 e as preferenciais, de 104,03%.

Entre as exceções do dia, destaque para as ações da Vale, que subiram durante todo o dia e ajudaram a limitar a queda da Bolsa. Os papéis refletiram uma leve alta dos preços do minério de ferro no mercado chinês, em meio à expectativa de um mercado local mais firme. Vale ON avançou 0,57% e Vale PNA, 0,59%. 

 

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