Em mês de extremos, Bolsa lidera ranking de investimentos

Apesar da volatilidade, Ibovespa fechou outubro com alta de 0,95%; com alta da Selic, perspectiva para os fundos é favorável

Mariana Congo, Yolanda Fordelone, O Estado de S. Paulo

31 de outubro de 2014 | 21h23

O último pregão de outubro foi fundamental para definir oranking de investimentos do mês. O Ibovespa, principal índice do mercado deações, avançou 4,38% nesta sexta-feira e fechou na liderança do mês. Até o dia anterior, aBolsa figurava como o segundo pior investimento de outubro – só ganhava doouro. A aplicação no metal foi a única a ter queda no mês, de 1,27%. O dólarcomercial também registrou alta nesta sexta-feira 2,45%, cotado a R$ 2,47), e ficou emsegundo lugar no ranking mensal, com aumento de 0,90%.

O mês foi de cotações extremas, com volatilidade atrelada àseleições. Nesta semana, além da reeleição de Dilma Rousseff à Presidência,pesou também a decisão do Federal Reserve (Fed, o banco central dos EstadosUnidos) de encerrar seu programa de estímulos à economia. Na Bolsa, entre apontuação mínima do mês e a máxima, a variação foi de quase 21%. As ações dasestatais, entre elas a Petrobrás, sofreram mais. Em outubro, a açãopreferencial da petroleira recuou 15,53% e a ordinária, 15,07%. “O mercado foimuito impactado pelas eleições, que trouxeram forte volatilidade às ações”, dizo economista-chefe da corretora TOV, Pedro Paulo Silveira. Para os próximosmeses, no entanto, o mercado está mais otimista.

Com a reeleição de Dilma já assimilada, nesta sexta-feira a Bolsa foiinfluenciada por especulações sobre o reajuste da gasolina. As ações ordinárias(ON) da Petrobrás subiram 6,3% e as preferenciais (PN), 6,7%. A definição sobreo reajuste, segundo fontes, foi adiada para a terça-feira.

A elevação da taxa básica de juros (Selic) pelo Comitê dePolítica Monetária (Copom) do Banco Central, que surpreendeu na quarta-feira,também deve influenciar o mercado. O juro básico subiu de 11% ao ano para11,25% ao ano. “A alta da Selic arruma a casa. O que a Bolsa vê é o juro delongo prazo, não o de curto. Se a economia fica mais equilibrada, a taxa delongo prazo cai e beneficia as ações”, aponta Silveira.

Juros. O juro alto fez as aplicações mais conservadoras(fundos DI e renda fixa) registrarem um bom desempenho em outubro. Os fundosDI, que aplicam em títulos de renda fixa pós-fixados, tiveram rentabilidade de0,74% no mês. Já o retorno dos fundos de renda fixa – que podem ter em suacarteira mais papéis pré-fixados ou atrelados à inflação – ficou em 0,73%. Noano, as aplicações conservadoras mostram melhor retorno para o investidor.

A decisão do Copom de aumentar a Selic trouxe perspectivaspositivas para os investimentos atrelados a juros. Para o diretor executivo daAssociação Nacional dos Executivos de Finanças, Administração e Contabilidade(Anefac), Miguel de Oliveira, o diferencial dos fundos conservadores está nofato de o retorno ser mais garantido, algo que o investidor busca em momentosde incerteza. “Estamos em um ambiente de evolução da taxa Selic. Ocorreu a altanesta semana e devem acontecer novas. Neste cenário, os fundos têm destaque”,diz.

Perspectiva. O próximo encontro do Copom ocorre nos dias 2 e3 de dezembro e a expectativa do mercado é de nova alta do juro. O Certificadode Depósito Bancário (CDB), investimento também atrelado ao juro, acompanha omovimento e deve se beneficiar. Em outubro, o CDB teve alta de 0,68%

“Os títulos de inflação estão pagando 6% de juro mais avariação do IPCA, que deve ficar perto de 6,5%. Portanto, estão rendendo 12,5%ao ano, o que significa que há espaço para a Selic subir até este nível ou umpouco acima”, diz o administrador de investimentos Fábio Colombo. Segundo ele,a Selic só não chegará a este nível se a inflação sinalizar enfraquecimento.

Quanto à escolha entre fundo de renda fixa, DI ou CDB,especialistas dão duas sugestões: buscar taxas de administração baixas ealongar o prazo do investimento, para pagar menos Imposto de Renda (IR). Emtodos os investimentos de renda fixa, o IR decresce conforme o tempo daaplicação, começando em 22,5%, se o resgate for feito em menos de seis meses, ecaindo até a alíquota de 15%, caso este seja feito após dois anos.

Para Colombo, a taxa de administração deve ser menor que1,5% ao ano. “Só tomaria cuidado em investir em algo pré-fixado, pois éarriscado neste momento. O investidor pode ser surpreendido por novas altas daSelic”, afirma. 

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