Em resposta a medidas, dólar segue em alta de quase 2%

Pela agressividade, as medidas do governo provocaram um choque no mercado desde cedo

Agência Estado,

27 de julho de 2011 | 11h50

O dólar responde com uma forte alta frente ao real ao arsenal usado hoje pelo governo brasileiro para tentar conter a valorização da moeda local. Às 15h20, o dólar comercial valia R$ 1,565, no mercado interbancário de câmbio, com valorização de 1,89%.  As medidas provocaram um choque no mercado desde a abertura, com a percpeção de que o efeito pode ser amplo.

A medida provisória (MP) publicada hoje no Diário Oficial da União, o governo autoriza o Conselho Monetário Nacional (CMN) a definir regras específicas para as negociações no mercado de derivativos e a tributar com o Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) de até 25% sobre o valor dessas operações. Agora, no entanto, essa tributação começa com alíquota de 1% de IOF sobre a diferença entre a posição vendida e a posição comprada das empresas superiores a US$ 10 milhões.

O ministro da Fazenda, Guido Mantega, informou ainda que o governo brasileiro também está fechando uma brecha do mercado, que estava liquidando, antes do prazo, as operações de crédito tomadas no exterior, com prazo acima de 720 dias, para fugir do pagamento de IOF. A partir de agora, as liquidações antecipadas também pagarão 6% do imposto, além de multa.

Entre as casas que atuam no segmento financeiro nacional, as reações são distintas. "É uma insanidade, uma medida sem noção, pois vai destruir o mercado de hedge do País", disse o chefe de pesquisas para mercados emergentes da Nomura Securities, em Nova York, Tony Volpon, sobre a medida. A medida prevê a aplicação da alíquota de 1% do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) sobre o chamado valor "nocional" dos contratos de derivativos cambiais.

Para o estrategista sênior de moedas do JP Morgan em Nova York, Kenneth Landon, as medidas devem interromper no curto prazo a tendência de valorização do real ante o dólar, que poderia ficar abaixo de R$ 1,50 nos próximos dias. "Mas no longo prazo o real deve continuar forte ante o dólar por dois motivos: um deles é que os juros no Brasil são elevados e o outro é que o dólar passa por movimento de enfraquecimento global que não deve ser resolvido logo."

O economista do Itaú Unibanco, Guilherme da Nóbrega, vê como relevante as autoridades econômicas brasileiras terem adicionado na sua "caixa de ferramentas" medidas cambiais definindo regras específicas para as negociações no mercado de derivativos. Algumas instituições ainda não comentaram a medida, mesmo instadas pela reportagem.

Nota atualizada às 15h20

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