Embraer negocia crédito especial com bancos

A Embraer deve anunciar "nas próximas semanas" a contratação de linhas de crédito "a custos bastante atraentes", o que vai contribuir para aliviar o caixa da empresa. A informação é da diretora de mercado de capitais da fabricante de aviões, Anna Cecília Bittencourt, em palestra na Apimec-Rio. Segundo ela, os novos recursos darão mais flexibilidade à Embraer para as operações financeiras do dia-a-dia, que é uma "questão muito relevante na indústria de aviões". No final de setembro, a Embraer tinha um caixa líquido de R$ 1,139 bilhão e, com os novos créditos, poderá ter menos recursos disponíveis. As novas linhas foram facilitadas após a empresa obter o grau de investimento por parte das agências de classificação de risco.Atualmente, segundo ela, o mercado de aviação está "tranqüilo" em termos de disponibilidade de financiamento de aviões, mas a executiva destacou que a melhor estratégia é sempre ter boas disponibilidades financeiras. Ela lembrou que há cinco anos, após o atentado terrorista de 11 de setembro, a Embraer viu "desaparecer" o seu capital de giro em poucos meses, devido ao cancelamento de pedidos dos clientes. No final do trimestre passado a empresa tinha cerca de R$ 1 bilhão de "contas a receber" , mantendo-se nos mesmos níveis dos trimestres anteriores. Os estoques, por sua vez, somavam R$ 3,971 bilhões, cerca de R$ 600 milhões abaixo dos R$ 4,588 bilhões registrados no segundo trimestre de 2005.A dívida total da empresa no final de junho somava R$ 3,308 bilhões, sendo 78% em moeda estrangeira e 22% em moeda local. Segundo Anna, os custos de captação em moeda nacional estão em torno de 9,5% ao ano, o que é inferior à taxa média dos Certificados de Depósitos Interfinanceiros (CDI), em torno de 14% ao ano, o que "permite alguma arbitragem financeira", comentou. Os financiamentos internacionais estão em torno de 7,1% ao ano, além da correção cambial.

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