Emergentes têm alta com testes da UE; rendimento cai para mínima recorde

Expectativa é de mais emissões na semana que vem, a última antes de agosto, quando, geralmente, há redução na atividade do mercado

Álvaro Campos, da Agência Estado,

23 de julho de 2010 | 19h16

Os bônus dos países emergentes encerraram a semana diminuindo o spread em relação aos Treasuries. A demanda por bônus emergentes cresceu, influenciada pela alta das bolsas norte-americanas após a divulgação dos resultados dos testes de estresse dos bancos da União Europeia. O prêmio de risco do Emerging Market Bond Index Global (Embig), do JPMorgan, recuou 13 pontos-base, para 310 pontos-base sobre os Treasuries, voltando para os níveis registrados antes das fortes quedas dos ativos globais em abril e maio. O yield do índice benchmark caiu para a mínima recorde de 6,16%, de acordo com os números mais recentes, e deve cair ainda mais, com mais dinheiro entrando nessa classe de ativos.

 

"Nossa esperança é de que os resultados dos testes acabem com os receios sobre o setor bancário europeu e deem uma direção para os mercados em geral", disse Timothy Ash, diretor global de mercados emergentes do Royal Bank of Scotland. Somente sete das 91 instituições financeiras analisadas falharam nos testes.

 

A EPFR Global, que monitora fundos, registrou uma entrada de capital de US$ 875 milhões nos fundos de dívida de países emergentes nesta semana, com pouco mais da metade dessa quantia investida em bônus denominados em dólar e euro. Os números sugerem que a demanda por exposição ao crescimento econômico mais rápido e aos sistemas financeiros geralmente sólidos da Ásia e da América Latina continua robusta.

 

Mas a situação fiscal da Hungria permaneceu em foco, com a agência de classificação de crédito Moody's alertando ao governo do país que é preciso reduzir o déficit orçamentário se ele quiser evitar "um rebaixamento de vários graus" em seu rating de crédito. Em entrevista na televisão hoje, o primeiro-ministro húngaro, Viktor Orban, disse que o país não precisa de mais empréstimos do FMI depois que o acordo de crédito atual expirar, em outubro. O preço dos bônus da Hungria no Embig caiu 1,1%.

 

A volátil dívida da Venezuela teve um dos maiores ganhos do dia, com os bônus do país avançando 0,71% em termos de preço. Os títulos da Colômbia também avançaram com o sentimento positivo do mercado. A melhora aconteceu apesar das crescentes tensões entre os dois países. A agência Fitch disse que o rompimento de relações entre ambos reduziu o crescimento do PIB da Colômbia no ano passado em pelo menos um ponto porcentual, já que a Venezuela é uma grande importadora de produtos colombianos.

 

Enquanto isso, o Banco Central da Colômbia elevou sua previsão de crescimento econômico para este ano para 3,5% a 5,5%, com as exportações crescendo rapidamente e empresas e consumidores gastando mais. A previsão anterior de crescimento estava entre 2% e 4%. Ainda assim, o BC manteve sua taxa básica de juros inalterada em 3% e reiterou que não há pressões inflacionárias.

 

Após uma série de novas emissões de bônus corporativos essa semana, hoje os emissores fizeram uma pausa. Mas as expectativas são de mais emissões na semana que vem, a última antes de agosto, mês que geralmente registra uma redução na atividade do mercado. As informações são da Dow Jones.

Tudo o que sabemos sobre:
bônusemergentesemissões

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.