Emgea quer fazer leilão de crédito

A Empresa Gestora de Ativos (Emgea) quer vender em leilão público créditos contra empresas da ordem de R$ 12 bilhões. "Não o fizemos até agora em função de entraves jurídicos. Mas esperamos poder colocar a idéia em prática já neste ano", disse à Agência Estado o diretor-presidente da Emgea, Gilton Pacheco de Lacerda. O valor refere-se a financiamentos concedidos pela Caixa Econômica Federal (CEF) e por bancos sob liquidação do Banco Central (BC) ou já extintos que foram repassados para a empresa.Com o leilão, a Emgea espera poder acelerar as liquidações dos empréstimos herdados desde sua criação em junho de 2001. "Para se ter uma idéia, já conseguimos reduzir o estoque de contratos contra empresas de 4.350 para algo abaixo dos 800", contou o dirigente da empresa. De quebra, Pacheco espera que a cessão dos créditos para entes privados possa proporcionar uma queda do número de questionamentos jurídicos feitos por estas empresas contra a Emgea. "Com a iniciativa privada, fica mais fácil a empresa devedora negociar condições para abrir mão das ações judiciais", comentou.Os empréstimos, de acordo com o diretor-presidente da Emgea, estão garantidos por bens imóveis como hotéis, shoppings e conjuntos habitacionais. "Há até mesmo conjuntos habitacionais inacabados e que acabaram sendo invadidos", comentou. Para Pacheco, a venda dos créditos contra empresas desperta muito interesse de agentes do setor privado. "Sabemos que há muito interesse numa operação como esta", disse. No leilão, os créditos poderão ser comprados com desconto. "Cada um vai embutir uma taxa de risco da operação e fazer um lance com uma redução do valor teórico do crédito a ser comprado", explicou. Nas operações com pessoas físicas, a Emgea espera conseguir neste ano uma redução de aproximadamente 25% do número de ações movidas por mutuários do Sistema Financeiro da Habitação (SFH). "Em 2007, esperamos uma maior agilidade da justiça", disse Pacheco. Em todo o ano passado, a empresa conseguiu concluir as negociações de 36.579 contratos de financiamento habitacional que estavam sub judice. Deste total, a empresa conseguiu chegar a um acordo administrativo em 11.203 contratos. "É muito difícil que as condições dos acordos obtidos na justiça sejam melhores do que aquelas oferecidas por nós nas negociações diretas com os mutuários", afirmou.Nas conversações com a Emgea, o mutuário pode conseguir descontos no valor do seu saldo devedor. "Nos imóveis de até R$ 40 mil, podemos reduzir a dívida a 65% do valor do imóvel padrão (imóvel de conjunto habitacional sem reformas) ou a 40% do próprio saldo devedor. Prevalece sempre o que for menor", disse. No caso de imóveis mais caros, os descontos no valor da dívida são dados com base em negociações isoladas com cada um dos mutuários. "O desconto aí vai depender de fatores como o valor de mercado do imóvel, a parcela de financiamento usado na compra do imóvel e o valor já amortizado da dívida original", disse.

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