Emissões de empresas de 2ª linha devem aumentar, diz estrategista

Até agora esse ano, aproximadamente US$ 30 bilhões foram captados

Cynthia Decloedt, da Agência Estado,

23 de setembro de 2010 | 16h48

O mercado externo de dívida corporativa deve começar a receber a partir dos próximos meses papéis de companhias brasileiras chamadas de segunda linha - empresas menores ou com classificação abaixo do grau de investimento - buscando aproveitar a atual janela de oportunidade de captação de recursos, prevê o responsável pelo Debt Capital Markets do Santander, Ricardo Leoni.

 

"Os emissores frequentes devem reduzir o ritmo de suas captações, uma vez que a maioria já concluiu operações para atender suas necessidades de financiamento ou para troca de dívida", afirmou Leoni.

 

Leoni acredita que entre esses prováveis emissores estarão empresas dos setores de agronegócio, imobiliário, infraestrutura e instituições bancárias, provavelmente com operações individualmente também menores, entre US$ 200 milhões e US$ 500 milhões. Ontem, por exemplo, circulou no mercado que a companhia que atua no segmento imobiliário comercial BR Properties inicia na segunda-feira um roadshow com investidores na Ásia, Europa e Estados Unidos. A empresa, que realizou em março a oferta de suas ações em bolsa, nunca acessou o mercado de dívida externa.

 

"É um ganha-ganha", resumiu o estrategista para explicar o bom momento desse mercado, que deve fechar o ano com volume recorde de emissões feitas por companhias brasileiras. "De um lado, os emissores encontram recursos a um custo baixo; de outro, os investidores encontram a possibilidade de melhorar seus rendimentos", explica. 

Segundo Leoni, esse ambiente de baixa perspectiva de elevação do juro nas grandes economias, combinado com a avaliação de moderado crescimento, permite às companhias garantir recursos por prazos mais longos por custos historicamente reduzidos. Portanto, é natural que, como a perspectiva de mudança nesse cenário é pequena, outras companhias que não recorrem habitualmente a esse mercado olhem para ele.

 

Para 2010, Leoni faz um cálculo, que considera conservador, de US$ 38 bilhões em captações por empresas brasileiras, um volume superior ao recorde de US$ 25 bilhões em 2009. Até agora esse ano, aproximadamente US$ 30 bilhões foram captados.

 

Ele não descarta, entretanto, percalços no caminho dos emissores, ou seja, momentos semelhantes a maio desse ano,

quando o mercado de crédito congelou diante de temores de calote na dívida da Grécia. Mas uma virada no apetite do

mercado ocorreria, de modo mais claro, se, no médio prazo, o Fed sinalizasse alta do juro norte-americano, avalia.

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