Emissões externas seguem aquecidas mesmo com férias nos EUA e Europa

Para os próximos três anos, expectativa é de que mercado de emissão de bônus externos continue aquecido por conta do alto volume de dívida que as empresas brasileiras têm para rolar

Altamiro Silva Júnior e Cynthia Decloedt, da Agência Estado,

21 de julho de 2010 | 09h45

O mercado de emissões externas deve continuar aquecido nos próximos dias, com empresas de países emergentes captando mesmo nas primeiras semanas de agosto, tradicional período de férias no Hemisfério Norte. Entre as companhias que sondam o mercado estão Odebrecht, Sabesp, Magnesita, ABC Brasil, Net e o banco BMG. A próxima candidata é a JBS, que deve lançar bônus de 10 anos nos próximos dias. Nos road shows, a JBS não sinalizou o tamanho da emissão.

Por conta da crise na Europa, muitas emissões previstas para ocorrer em maio e junho foram adiadas pelas empresas. Com o aumento da aversão ao risco, esse mercado ficou dois meses praticamente parado. Foi somente no começo de julho que essas operações voltaram com força e, por isso, a expectativa é que elas avancem agora pelo mês de agosto, principalmente nas duas primeiras semanas, avalia a estrategista de emissões corporativas do banco de investimento ING, Natalia Corfield.

A demanda deve continuar aquecida, prevê a analista. "Os bons fundamentos das empresas brasileiras e as perspectivas de forte crescimento econômico para o Brasil estão despertando o interesse do investidor estrangeiro por papéis de empresas", disse ela. Prova disso é que a demanda foi superior à oferta de papéis em todas as emissões feitas nas últimas semanas. Na Companhia Siderúrgica Nacional (CSN), que captou US$ 1 bilhão na semana passada, a procura chegou a US$ 2,8 bilhões.

As empresas que são grau de investimento, como a BM&FBovespa, estão conseguindo captar com taxas muitos baixas, destaca Natália, do ING. A bolsa brasileira pagou yield (retorno) de 5,548%, mesmo nível da mexicana América Móvil. "Quem é grau de investimento está tendo poder de barganha para conseguir taxas melhores. Já as demais empresas precisam pagar prêmio aos investidores", diz a estrategista do ING. Foi o caso da Gol (yield de 9,5%) e do Banco Mercantil (9,625%).

No caso da JBS, como a companhia teve aumento recente de rating, a expectativa é que consiga reduzir a taxa. No dia 16, a agência de classificação de risco Standard & Poor's elevou os ratings do frigorífico brasileiro e sua subsidiária nos EUA, a JBS USA, de "B+" para "BB".

Para Eduardo Nascimento, diretor-executivo do BB Securities, o mercado de dívida corporativa seguirá ativo até o final do ano. Nascimento explicou que o primeiro semestre foi de intenso movimento e que a maior parte das captações teve por objetivo ajustar o perfil do custo da dívida que havia sido tomada a um custo mais elevado, durante o auge da crise financeira e econômica em 2008 e 2009.

Nascimento disse que, apesar da crise na Europa, o desempenho das captações brasileiras tem sido favorável e que o mercado está aceitando receber um yield levemente menor para adquirir bônus de empresas brasileiras. O BB participou de 12 emissões de bônus de companhias nacionais este ano.

Para os próximos três anos, a expectativa é de que o mercado de emissão de bônus externos continue aquecido por conta do alto volume de dívida que as empresas brasileiras têm para rolar, avalia o Bank of New York Mellon. Além da necessidade de emissão para financiar investimentos, as empresas precisarão emitir também para refinanciar dívidas. Cálculos do banco mostram que existem US$ 37 bilhões em bônus emitidos por empresas brasileiras no mercado externo vencendo até 2013. "Essas operações terão que ser reestruturadas", afirma Ian Fuchsloch, vice-presidente do BNY Mellon.

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