Empresários festejam incentivo e lançam imóveis

Construtoras, fabricantes e revendedores de materiais de construção já comemoram o pacote do governo para a habitação e lançam imóveis sob medida para as camadas de renda mais baixa antes mesmo de conhecerem os detalhes das novas regras do setor. "Estamos no melhor dos mundos", resume o presidente do Secovi-SP, Romeu Chap Chap. Ele acredita que, com o fim da Taxa Referencial (TR) nos financiamentos, a criação de linhas de crédito consignado e a possibilidade de as construtoras terem acesso a recursos federais e orçamentários (FGTS, FAT e orçamento) para financiar as obras a um custo menor, a habitação para a baixa renda será incentivada. "Estávamos trabalhando só com imóveis para as camadas de renda média e alta porque não tínhamos recursos mais baratos", diz Chap Chap. O grande déficit habitacional está concentrado na baixa renda. De olho nessa oportunidade, quatro empresas do setor, a Esser Empreendimentos,General Realty, AWH e a Sociedade Técnica de Construções, por exemplo, acabam de lançar em São Paulo um prédio com apartamentos de um e dois dormitórios que custam R$ 87 mil e R$ 149,7 mil, respectivamente. Segundo os empreendedores, esse era um segmento de mercado que estava esquecido pelas incorporadoras e construtoras, mas agora ganha impulso com as novas regras para os financiamentos imobiliários. "Antes mesmo do lançamento já vendemos 80 apartamentos", diz o diretor da construtora Esser, Maurício Ribeiro. Chap Chap destaca que essa conjugação de fatores favoráveis para o setor da construção civil começou a ser desenhada há dois anos, quando uma espécie de marco regulatório passou a valer com a lei federal 10.931/04. De acordo com essa lei, sancionada pelo presidente Lula, foram criados mecanismos que dão maior segurança aos bancos e compradores de imóveis. Segundo o presidente do Secovi-SP, o pacote que será anunciado só amplia as possibilidades de algo que já vinha sendo preparado. "Desde 2003 o terreno já vinha sendo pavimentado", diz o presidente do Sindicato da Indústria da Construção Civil do Estado de São Paulo (Sinduscon-SP), João Claudio Robusti. Na sua opinião, a possibilidade de financiamentos com prestação fixa, sem a TR, deve impulsionar as vendas porque o comprador se sentirá mais seguro na hora de assumir a dívida, caso venha a perde o emprego. As medidas de incentivo ao setor imobiliário devem fazer com que os recursos da caderneta de poupança destinados à habitação somem R$ 9 bilhões neste ano, quase 90% mais que em 2005, segundo cálculos de Robusti. Além das construtoras, a indústria e o comércio de materiais de construção estão satisfeitos com as medidas de incentivo. O presidente da Associação Nacional dos Comerciantes de Material de Construção (Anamaco), Claudio Conz, acredita que mais dez novos produtos serão adicionados à lista de 40 que tiveram as alíquotas de Imposto sobre Produto Industrializado (IPI) reduzida ou zerada. Nessa nova relação, constariam chuveiro, piso, vidro, entre outros. Com essa nova lista, será a terceira vez neste ano que o governo desonera de IPI os materiais de construção. Com isso, Conz acredita que as revendas vão fechar o ano com crescimento de 8% no faturamento. Até julho o acréscimo foi de 6,5%. O presidente da Associação Brasileira da Indústria de Materiais de Construção (Abramat), Melvyn Fox, diz que as vendas de itens que tiveram o IPI reduzido ou zerado cresceram 10% no primeiro semestre deste ano ante o mesmo período de 2005, enquanto a receita da indústria como um todo aumentou só 3% no período.

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