Empresas chamam executivos de outras áreas para dar fôlego

Na semana passada, a seguradora Icatu Hartford anunciou que a partir de janeiro de 2007 sua presidência será ocupada por Maria Silvia Bastos. A executiva é conhecida por ter dirigido a Companhia Siderúrgica Nacional (CSN) e, mais recentemente, por ter prestado consultoria no processo de reestruturação da nova Varig.Sua entrada no setor de seguros, que geralmente prefere profissionais do próprio ramo, reflete uma tendência das empresas que buscam novo fôlego para aumentar seu faturamento. ?A minha principal meta na Icatu Hartford é fazer a empresa crescer e aumentar sua participação de mercado?, diz Maria Silvia.Segundo Adilson Parrella, sócio da empresa especializada em recrutamentos Korn Ferry para a prática de Consumo, o que as companhias querem ao trazer um executivo de outras áreas é fugir da estagnação do mercado em que atuam e ter uma pessoa sem vícios daquele segmento. ?Mas o executivo precisa estar preparado isso, ter uma boa dose de flexibilidade e ser empreendedor, além de conseguir trabalhar bem com equipes.?Maria Silvia diz que gosta de desafios e não vê riscos em entrar em um novo setor. ?Vejo a função de um presidente principalmente como a de um maestro, que deve reger o time e motivar seus participantes. O fato de ser um setor diferente dos que já atuei só aumenta a minha motivação.?Outro caso parecido é o de Luiz Kaufmann, ex-presidente da Aracruz, do setor de papel e celulose, e que atuava em conselhos de administração de empresas de várias áreas, como a Gol e a Vivo. Ele aceitou este ano o cargo de presidente da Medial Saúde, de planos de saúde. ?Sempre me contrataram pela minha capacidade de fazer reestruturações nas empresas, não por ser de um determinado setor. O fundamental é me cercar de pessoas competentes nas diversas áreas de onde estou?, diz ele.Com poucos meses de empresa, foi responsável pelo processo de abertura de capital da companhia na Bolsa - a primeira do setor de saúde - no mês passado. ?De todos os setores em que atuei este é o de maior complexidade, pois o cliente final é um paciente num momento muito sensível, temos leis bem rígidas para o setor e as margens são muito apertadas?.Para Augusto Puliti, gerente da divisão de Recursos Humanos da consultoria Michael Page, as empresas estão cada vez mais atrás de mudanças como estas, o que é muito mais fácil quando o profissional vem de outra área. ?Quando se fala de uma posição desta, o que se espera é grande visão de negócios, liderança e alguém que saiba tirar o melhor da equipe, não que tenha algum conhecimento específico daquele setor?, diz.Por isso mesmo, para Maria Silvia, a receita de um executivo que faz sucesso, independente do setor em que atua, é bem simples: ?Basta fazer a escolha correta das pessoas, criar um time que se complementa e cuidar da motivação, alinhando todos a um objetivo comum.?

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