Empresas de educação perdem R$ 7 bi na Bolsa este ano

Incertezas sobre novas regras para financiamento estudantil impulsionaram a venda de papéis nos primeiros dias do ano

Karin Sato, Dayanne Sousa, O Estado de S. Paulo

07 de janeiro de 2015 | 08h39

 As incertezas sobre os efeitos práticos das medidas do Ministério da Educação publicadas na última semana, alterando o funcionamento do Fundo de Financiamento Estudantil (Fies), que impulsionou o crescimento do ensino presencial privado nos últimos anos, levou os investidores a uma nova rodada de venda dos papéis do setor de educação nesta terça-feira, 6.

Kroton ON (-8,73%), Estácio ON (-7,17%), Ser Educacional ON (-12,92%) e Anima ON (-14,15%) tiveram fortes baixas ontem. Juntas, as quatro empresas do setor listadas na BM&FBovespa perderam R$ 7 bilhões em valor de mercado nesses primeiros dias de 2015.

O consenso é que as mudanças serão negativas. Há divergências, no entanto, em relação à intensidade dos efeitos. Logo depois de divulgar medidas que restringem o acesso de alunos de baixo rendimento escolar ao Fies, o ministério publicou portaria que altera o cronograma de recompra de títulos do programa do Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE).

O FNDE troca por dinheiro certificados do Tesouro, que são oferecidos às empresas quando alunos contratam o Fies. No caso de grandes empresas, com mais de 20 mil alunos, as recompras vão ocorrer a cada 45 dias e, segundo o texto da portaria, abrangerão um único mês de encargos educacionais. Até hoje essas recompras ocorriam todo mês.

Uma parte do mercado interpretou a medida de forma menos literal, considerando que a mudança no cronograma para recompras a cada 45 dias, em vez de 30 dias, significaria apenas que haveria impacto no capital de giro, mas o valor referente a todas as mensalidades do ano seria pago. Outra interpretação foi a de que as empresas receberiam apenas o referente a oito meses de mensalidade e acumulariam recebíveis indefinidamente.

“Essa preocupação veio do fato de que a medida não foi escrita de forma completamente clara, mas discordamos fortemente dessa interpretação e acreditamos que ela não faz sentido”, escreveram analistas do BofA em relatório. Para eles, por outro lado, a interpretação mais rigorosa, ou seja, de que as companhias só receberão oito meses no ano, significaria o fim do Fies.

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