Empresas de médio porte avaliam ofertar ações no Bovespa Mais

Quatro das seis empresas que participam da 5ª edição do Fórum Brasil de Abertura de Capitais, que será promovido pela Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) e pela Financiadora de Estudos e Projetos (Finep) amanhã em São Paulo (SP), estudam o ingresso no Bovespa Mais, mercado de acesso que ainda não conta com empresas listadas. Além da DBA Engenharia de Sistemas, que poderá captar até US$ 50 milhões nesse segmento ou até US$ 100 milhões no Novo Mercado, a Controil (autopeças), Blanver (farmacêutica) e a Memphis (higiene pessoal) também avaliam a possibilidade de oferta de ações no mercado de acesso da Bovespa.No caso da Blanver, uma das maiores fornecedoras mundiais de insumos farmacêuticos, a listagem no Novo Mercado, segundo o diretor Sérgio Frangioni, seria o "ideal". Porém, neste momento, a empresa não teria o tamanho adequado para ingressar com êxito no segmento especial da bolsa. "Nos indicaram que é interessante ter faturamento acima de R$ 100 milhões para ingressar no Novo Mercado e estamos na casa dos R$ 67 milhões", afirmou o executivo. "Então, pode ser mais adequado esperar o momento em que tivermos o tamanho certo", acrescentou.Segundo Frangioni, além de oferecer recursos para a futura expansão da empresa, a abertura de capital facilitaria o processo sucessório na Blanver. "Estamos trabalhando para cumprir os requisitos (para a operação), mas não temos prazo", destacou. "Na verdade, esse contato que teremos amanhã com os investidores vai determinar o ritmo", complementou o diretor. No próximo ano, a empresa pretende investir R$ 20 milhões em expansão de capacidade produtiva. Os recursos, conforme Frangioni, poderão ainda ser levantados junto ao Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) ou no próprio caixa da empresa. "Nosso projeto para a bolsa ainda é muito prematuro".Para os próximos três ou quatro anos, comentou o executivo, a meta da Blanver é dobrar o faturamento. Atualmente, as exportações para mais de 90 países geram receitas de US$ 20 milhões a US$ 22 milhões, equivalente a 70% do faturamento da empresa. É justamente no mercado internacional que a Blanver pretende encontrar os meios de cumprir a meta. "Já somos líderes no Brasil", explicou.Já a Controil, líder no mercado de reposição de freios hidráulicos, aposta mais fortemente na listagem no Bovespa Mais, uma vez que não estaria pronta para o Novo Mercado. "O que nos traz para a bolsa não é o custo do capital, que é mais alto que o dos bancos. Queremos modernizar a empresa, tornar a sociedade líquida", afirmou o diretor-presidente da Controil, Leonildo Bernardon. A empresa, que conta com três acionistas, passa por processo de sucessão e pretende, em uma eventual oferta de ações, levantar R$ 75 milhões. Deste montante, R$ 45 milhões seriam utilizados para expansão e R$ 30 milhões para recompra da participação de um dos acionistas, já falecido.De acordo com o diretor-superintendente da Controil, Gilso Gotardo, os investimentos planejados serão efetuados entre 2007 e 2008, e fazem parte da meta de elevação do faturamento da empresa, que superou R$ 80 milhões no ano passado, para R$ 240 milhões em 2010. "Até lá, 60% das receitas serão geradas do fornecimento de produtos diretamente para as montadoras e 40% virão do mercado de reposição, invertendo a composição atual", afirmou.Outra empresa com meta agressiva de crescimento é a Memphis Industrial, fabricante de sabonetes, desodorantes, talcos e deo colônias. De acordo com o diretor comercial, Clóvis Cortesia, a empresa tem avaliado a possibilidade de captar recursos via venda de participação acionária, mas não há intenção clara para o curto prazo. "Nesse momento, podemos expandir os negócios com recursos próprios", afirmou. A empresa, que em 2005 faturou R$ 98 milhões, pretende crescer a taxas de 17% ao ano nos próximos anos, por meio da inclusão de novos itens em seu portfólio e ingresso em novos mercados, sobretudo na América Latina.Conforme Cortesia, o setor de higiene pessoal no País passa por um processo de consolidação, de forma que a Memphis poderá vir a analisar alguma aquisição no médio prazo e, então, buscar recursos no mercado de capitais. "Queremos ficar prontos para termos também essa alternativa", enfatizou. Conforme o executivo, a opção entre Bovespa Mais ou Novo Mercado dependerá do tamanho da oferta.Outra participante do evento, a Mectron, que fornece produtos de alta tecnologia para os mercados de defesa e aeroespacial, não analisa, neste momento, a listagem na Bovespa. De acordo com o diretor da empresa, Rogério Salvador, a Mectron está em busca de um fundo de private equity que pretenda aportar recursos e somente após os cinco anos de permanência habitual desse tipo de fundo poderia haver abertura de capital. "A saída natural seria por meio de oferta na bolsa, mas também poderia haver venda da participação para uma outra empresa estratégica", comentou Salvador. Conforme o executivo, a opção por esse perfil de investidor deve-se ao porte da empresa, cujo faturamento anual gira em torno de R$ 30 milhões.

Agencia Estado,

11 de setembro de 2006 | 18h13

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