Empresas de petróleo disputam profissionais especializados

Com o preço de petróleo em alta, acima dos US$ 50 por barril desde o ano passado, as empresas desengavetaram velhos projetos e começaram a disputar, em todo o mundo, profissionais qualificados. No Brasil, não são apenas as empresas que extraem o produto que estão contratando: toda a rede de fornecedores busca profissionais. ?Projetos caros estão agora viáveis e o setor busca gente preparada, com especialização e nível de inglês realmente alto, porque o setor é muito globalizado?, diz o gerente da Divisão de Óleo e Gás da consultoria Michael Page, Leonardo de Souza.Acostumado a buscar profissionais para o setor, Souza garante que a demanda é maior que a oferta. ?Algumas carreiras muito específicas, como a de geólogo, são de difícil contratação, pois todos que têm potencial já estão bem empregados.?Para quem se prepara, o mercado tem compensado. Gustavo Pedreira, por exemplo, tem 30 anos e está de malas pronta para a Noruega, onde deve morar durante os próximos três anos e ocupar o cargo de gerente de Suprimentos na matriz da Aker, um dos maiores estaleiros do mundo, que constrói navios ?offshore?, usados no transporte de mercadoria para as plataformas de petróleo distantes da costa. ?É um setor com boa empregabilidade e com diversas empresas internacionais se instalando no País, que oferecem oportunidades para o desenvolvimento de talentos.?O sócio da consultoria Korn Ferry, Flavio Kosminski, explica que a tendência de funcionários globais no setor é cada vez maior. ?O ramo do petróleo entrou numa dinâmica acelerada e as empresas globais estão atuando em todas as regiões. Quem vai para o setor tem de estar pronto para viajar muito e ficar preparado, pelo menos no começo da carreira, para ficar em lugares pouco confortáveis?.O coordenador de Vendas de uma divisão da multinacional americana Weatherford, Rodrigo Chafic, sabe bem o que é isso. Com apenas 26 anos, já viajou para lugares inóspitos, como o Alasca, a temperaturas de 50 graus negativos, e plataformas no México. ?Não existe passeio, pois ficamos em lugares distantes da civilização?, comenta.CapacitaçãoCom a demanda por funcionários capazes de trabalhar dentro das linhas específicas da cadeia do petróleo, a necessidade de se formar rapidamente um contingente de mão-de-obra atingiu também o setor público brasileiro.Por isso mesmo, a Petrobras lançou na semana passada os editais de um gigantesco projeto de qualificação para o setor, inserido no Programa de Mobilização da Indústria Nacional do Petróleo e Gás Natural (Prominp).A meta é treinar 70 mil profissionais dos níveis básico, médio e superior até 2007. Estão inclusas no programa 150 categorias profissionais consideradas críticas por terem disponibilidade de mão-de-obra bem inferior à demanda do setor. Deverão ser criados 750 cursos diferentes e 5.400 turmas, envolvendo 50 entidades de ensino.Para quem já está no setor, as chances serão maiores: metade das vagas será ocupada por profissionais indicados pelas empresas de petróleo e gás.

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