Empresas têm 1º recuo na receita líquida desde 1998

A receita líquida das empresas de capital aberto no primeiro semestre deste ano caiu pela primeira vez desde 1998. Segundo levantamento da empresa de informações financeiras Economática, com balanços de 88 companhias negociadas na Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa), a queda real (descontando a inflação) foi de 0,5% comparado a igual período do ano passado, para R$ 170 bilhões. "Apesar de pequeno, esse recuo interrompe um longo período de alta das receitas", afirma o presidente da Economática, Fernando Exel.O resultado é atribuído à queda no preço de alguns produtos e à taxa de câmbio. No fim do primeiro semestre de 2005, o dólar estava cotado a R$ 2,35. Neste ano, estava em R$ 2,16.A média foi puxada pelo desempenho dos setores de siderurgia e metalurgia, química, telecomunicações, veículos e peças e têxtil. A receita das 37 empresas que compõem essas áreas caiu de R$ 73,34 bilhões para R$ 67,17 bilhões - resultado 8,41% inferior ao do ano passado. Só o setor de siderurgia e mineração teve queda de 14,54%, para R$ 24,46 bilhões.Nesse caso, os maiores recuos foram verificados na Confab e Companhia Siderúrgica Nacional (CSN). Essa última, segundo o levantamento, registrou queda real de 31,2% nas receitas líquidas por causa do acidente de um alto forno, que diminuiu o volume de vendas, explicou o analista da Ativa Corretora, Guilherme Maris.Segundo ele, outra empresa que sofreu no semestre foi a Usiminas, que aumentou a participação das exportações na receita total. "Com a queda do dólar, o valor final recuou." Conforme relatório da empresa, apesar do maior volume embarcado no período a queda decorreu da união de três fatores: menores preços, mudança do mix de destino (maior participação das exportações) e taxa de câmbio.No setor têxtil, a explicação para a queda nas receitas também está associada a preço, afirma a analista da Austin Rating, Simone Escudêro. Segundo ela, a indústria brasileira concorre diretamente com a chinesa neste setor. "Com a desvalorização do dólar, os produtos chineses se tornaram ainda mais competitivos comparados aos da indústria brasileira, que teve de reduzir sua margem para continuar no mercado, interno ou externo", explicou ela, ressaltando que o setor não deixou de exportar e tem ganhado mercado.Pelo lado positivo, os setores que tiveram os melhores desempenhos nas receitas foram transporte e serviços, petróleo e gás e máquinas industriais.Lucro líquidoAlém da receita líquida cair, o lucro líquido das empresas recuou, de R$ 21 bilhões em 2005 para R$ 19 bilhões neste ano. O lucro operacional (antes de juros e impostos) caiu 14,8% e diminuiu a relação com a dívida - o que mostra a capacidade das empresas de honrarem o pagamento dos serviços da dívida. O índice diminuiu de 29,6% para 24,1%.A rentabilidade das empresas, no entanto, melhorou no período de 12 meses, passando de 21,5% para 22,2%.

Agencia Estado,

11 de agosto de 2006 | 09h49

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