Gabriela Biló/Estadão
Gabriela Biló/Estadão

Empresas voltadas a mercado interno saem na frente em recomendações

Otimismo após a eleição presidencial, com a perspectiva de melhora na atividade econômica, sustenta a aposta

Cristian Favaro, O Estado de S.Paulo

05 de janeiro de 2019 | 04h00

Empresas com maior exposição ao mercado doméstico devem sair em vantagem na Bolsa em 2019, apontaram analistas. A onda de otimismo na economia após a eleição presidencial, com a perspectiva de melhora na atividade econômica e consequente crescimento do Produto Interno Bruto (PIB), foi um dos indícios que sustentou a aposta. De acordo com o estrategista de pessoa física da Santander Corretora, Ricardo Peretti, o retorno dos investimentos após a dissipação da incerteza política deve melhorar o cenário para as empresas com foco interno. “Setores como varejo, bancos e de bens de capital devem ser favorecidos com a concretização deste cenário”, disse, lembrando a projeção do banco, de crescimento de 3% para o PIB do Brasil neste ano.

Peretti acrescentou que as companhias irão aproveitar o primeiro trimestre do ano, quando ainda há a expectativa positiva de aprovação da Previdência, para ampliar seus resultados ou dar andamento a projetos. “Se a Reforma for aprovada entre o 1º e 2º trimestres, a ‘janela’ permanecerá aberta até o fim do ano. Caso contrário, este otimismo pode se perder”.

Também condicionando um viés favorável às reformas, o analista da XP Investimentos, Gabriel Francisco, disse que vê “espaço para um ciclo sustentável de expansão da economia, implicando em maior expansão de lucros de nomes domésticos que hoje não estão nas estimativas de analistas”.

Pedro Galdi, da Mirae Asset, lembrou também do risco de desaceleração no exterior. “Assim, as empresas com foco no mercado local tendem a ter um desempenho melhor. Claro que isto não quer dizer que as exportadoras não irão apresentar bom desempenho, mas irá depender do impacto em preços e demanda”.

Das companhias que tendem a se beneficiar com maior facilidade das oportunidades de 2019, destacam-se as inseridas nos setores de “Concessão e Logística” e “Petróleo e Gás”, acrescentou o analista Guide Investimento, Rafael Passos. “Papéis também sensíveis à queda de percepção de risco País e com maior correlação à entrada de maior fluxo de recursos estrangeiros devem ter uma performance acima do índice.”

Na semana, a Mirae Asset manteve Banco do Brasil ON, Petrobrás PN e Usiminas PNA. Saíram Ultrapar ON e Rumo ON, que deram lugar a Vale ON e BRF ON. Segundo a casa, com a expectativa de reunião favorável entre China e EUA durante a semana, a Vale deve reagir positivamente. Já para a BRF, a estimativa é de recuperação na demanda interna de frango e queda de restrições de alguns dos frigoríficos no mercado externo.

Já a Coinvalores retirou Gerdau PN, que foi substituída por Petrobras PN. Segundo a casa, as sinalizações de continuidade da paridade de preços dos combustíveis com o mercado internacional tiraram incertezas, assim como o foco na venda de ativos e redução do endividamento, como foi dito pelo novo presidente da estatal, Roberto Castello Branco.

Enquanto isso, a Planner alterou toda sua carteira. Cteep PN, Tupy ON, Direcional ON, Ferbasa PN e Valid ON deram lugar a: Braskem PNB, Fleury ON, Klabin UNIT, Iochpe Maxion ON e Petrobrás PN. Já a Terra Investimentos retirou a Sabesp ON e inseriu CCR Rodovias na suas indicações. A Nova Futura retirou Petrobrás PN, BR Distribuidora ON, Banco do Brasil ON, Grendene ON e Iguatemi ON para inserir Ambev ON, Cosan ON, Estácio ON, JBS ON e AES Tietê Unit.

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