Entenda a corrida às compras com Telemar

O anúncio da reestruturação societária da Telemar causou um rebuliço ontem na Bolsa de Valores de Paulo (Bovespa). A forte alta das ações sepultou, pelo menos no pregão de ontem, a preocupação com uma dose extra de aperto monetário no mundo diante do novo recorde do preço do barril de petróleo. Para analistas, a operação envolvendo Telemar foi positiva porque deve eliminar um dos principais problemas dos investidores em relação à empresa: as deficientes práticas corporativas (leia-se transparência) da companhia. A operação anunciada ontem prevê que a holding Telemar Participações (TmarPart) passará a controlar integralmente a Tele Norte Leste (TNLP) e a Telemar Norte leste (TMAR). Posteriormente, a TmarPart se transformará em uma empresa de capital pulverizado("corporation", no termo em inglês). A pulverização vai atingir 100% do capital formado apenas por ações ordinárias. Para o estabelecimento dos valores das ações preferenciais da TNLP e da TMAR, a partir dos quais foram calculadas as relações de troca, foram utilizadas cotações de mercado dos últimos 30 dias até 13 de abril, considerando um prêmio de 25%. Ao final do processo, a empresa mudará de nome para Oi Participações e estará listada no Novo Mercado da bolsa paulista. "Uma vez concluído o negócio, o risco de governança relacionado ao papel acaba. Sendo assim, ele passa, imediatamente por uma nova precificação", afirma o Deutsche Bank, em relatório. A corretora do banco alemão manteve recomendação de compra para as ações após a medida. A corretora do banco Brascan tem opinião semelhante. Os analistas da instituição ressaltam que o anúncio traz uma nova perspectiva para os minoritários da empresa, pois a companhia contará com as melhores práticas de governança corporativa, tag along de 100% (direito dos acionistas minoritários de receber o mesmo valor do controle, no caso de venda) e política de pagamento dos dividendos com base no fluxo de caixa livre. Outro lado A operação tem seus riscos. Ela está condicionada a uma oferta pública secundária de ações dos atuais controladores de no mínimo 9% e no máximo 15% do capital total da TmarPart. A faixa estabelecida para esta oferta será de R$ 2,69 por ação até R$ 2,98 por ação, equivalente a intervalo de R$ 42,52 a R$ 47 por preferencial da TNLP, representando acréscimo de 15% sobre a cotação de fechamento de ontem. Respeitadas essas condições, o valor de mercado da empresa deverá passar dos atuais R$ 18,4 bilhões para entre R$ 29,8 bilhões e R$ 32,9 bilhões, a depender do tamanho da oferta secundária que será realizada. A operação, ressalta o Deutsche, implicará em diluição significativa para os acionistas, mas a valorização da empresa tende a mantê-la atraente. - em especial se for considerada a nova estrutura, de corporação, que existirá na Telemar. Analistas apontam que a participação dos investidores no capital da empresa cairá de 54,6% para 36,3%. A relação entre o valor da companhia e seu fluxo de caixa (EV/Ebitda) para 2007 deverá saltar de 3,4 vezes para 4,1 vezes, na avaliação do Deutsche, por conta do prêmio estipulado na operação. Para o banco, isso deverá compensar a diluição. Em relatório distribuído aos clientes, a corretora do banco JP Morgan listou ainda algumas dúvidas acerca do em torno da operação. Entre elas se há demanda para uma oferta de ações de R$ 2,7 bilhões por parte da Telemar, valor que poderá somar a colocação secundária. O JP observa que a nova Telemar será negociada com um FV/Ebitda estimado para 2006 de 4,9 vezes, o que representa prêmio de 60% em relação à empresa atualmente; de 19% em relação à Telmex e um desconto de 8% em relação à média das companhias fixas da Europa. O JP Morgan reiterou a recomendação neutra para o papel. Analistas ressaltam ainda, como um aspecto positivo, que a estrutura acionária da empresa ficará simplificada, concentrando seis papéis em uma única ação ordinária, em uma operação semelhante à praticada pela Vivo. Prêmios polpudos Relatório da Fator Corretora aponta ainda que os acionistas majoritários da Telemar receberão prêmio de controle estimado entre 142% e 167% da cotação de fechamento da Telemar ON em 13 de abril. Os minoritários detentores de ordinárias receberão equivalente a 80% do valor pago aos controladores. Os que possuem ações preferenciais receberão, por sua vez, prêmio de 25% da médias cotações do últimos dias. Ao final deste processo, a participação direta e indireta no capital do grupo dos controladores aumentará dos atuais 14,7% para 31%. Após a oferta secundária, poderá a ser reduzida entre 22% e 16%. No fechamento de ontem, Telemar PN subiu 5,65%, para R$ 37; e ON valorizou 27%, para R$ 71,30. A TMAR PNA avançou 3%, para R$ 55; e TMAR ON valorizou-se 29,4%, para R$ 110.

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