Entenda porque o juro cai aqui, mesmo com a disparada das taxas nos EUA

O IPCA-15 de abril, que antecipa o índice oficial de inflação do governo, veio muito abaixo do que o mercado esperava e deu impulso para que o mercado de juros continuasse na trajetória positiva observada desde anteontem. O superávit primário consolidado do setor público, de R$ 13,186 bilhões, foi a cereja do bolo esta manhã porque dissipou temores de que, desde já, pudesse vir abaixo da meta de 4,25% do PIB. O superávit primário superou o teto das previsões dos analistas ouvidos pela Agência Estado, que iam de R$ 5,5 bilhões a R$ 10,6 bilhões. Segundo o Banco Central, o superávit é recorde para o mês. Todos os níveis de governo apresentaram superávit no mês. O governo também reduziu a projeção de dívida em relação ao PIB para este ano, um dos indicadores mais observados pelos investidores internacionais, o que abriu espaço para uma expectativa de maior entrada de dólares no País. Analistas estão prevendo uma dinâmica favorável para a inflação nos próximos meses. As projeções para IPCA devem cair mais nos cálculos do mercado. E os IGPs continuam surpreendendo para baixo - e antecipando uma inflação ao consumidor fraca logo à frente. Todos esses fatores positivos serviram de contraponto à alta dos juros dos títulos do Tesouro dos Estados Unidos negociados no mercado secundário. Os juros subiram após a divulgação do indicador de encomendas de bens duráveis em março, que subiu 6,1%, ante previsões de crescimento de 1,6%, e também o número de vendas de imóveis novos em março nos EUA, que cresceu 13,8%, para 1,213 milhão de unidades.

Agencia Estado,

27 Abril 2006 | 07h00

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