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Resistência política ao pacote de ajuste fiscal leva dólar a R$ 3,856

Otimismo do mercado financeiro com o pacote de ajuste das contas públicas foi substituído pela cautela, após as declarações de parlamentares do PT e do presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha, contra a recriação da CPMF

Fabrício de Castro, O Estado de S. Paulo

15 Setembro 2015 | 11h27

Atualizado às 21h51

SÃO PAULO -  Durou um dia o otimismo do mercado com o pacote de ajuste das contas públicas proposto pelo governo. Após o dólar ter despencado na segunda-feira com a expectativa do pacote, nesta terça-feira a moeda americana subiu 0,97% e fechou cotada a R$ 3,856. 

Os investidores voltaram a buscar dólares porque o Congresso deu sinais de que não está disposto a facilitar a aprovação das medidas. “O mercado é muito imediatista e especulativo. Então, ontem (segunda-feira) tivemos rumores de cortes de R$ 20 bilhões, R$ 22 bilhões e R$ 26 bilhões - o que acabou se confirmando. O mercado reagiu bem e o dólar caiu”, disse Cleber Alessie Machado Neto, operador da H. Commcor DTVM. “Só que hoje (terça-feira) o mercado percebeu que não será fácil aprovar as medidas no Congresso.”

Ao mesmo tempo, há um mal-estar em relação a algumas medidas, como a recriação da CPMF. “O governo mandou a conta para a população pagar novamente. Só que essa conta o mercado entende que é difícil passar no Congresso”, disse Marcos Trabbold, gerente de operações da B&T Corretora. 

Desafio político. Comentários de parlamentares deixaram claro o tamanho do desafio político. O líder do governo no Senado, Delcídio Amaral (PT-MS), afirmou que não há garantias de aprovação no Congresso da recriação da CPMF. O senador Walter Pinheiro (PT-BA) foi além e anunciou voto contrário à medida.

À tarde, o presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), disse que é difícil passar pela Casa um novo pacote de ajuste, em especial a CPMF, e o apoio do PMDB a Dilma é “uma coisa; apoio à CPMF é outra”.

A fala de Cunha fez o dólar atingir a máxima de R$ 3,883 (+1,68%) às 15h01. Até o fim dos negócios, perto das 16h30, o dólar ainda desacelerou um pouco sua alta, com alguns investidores realizando parte dos lucros, vendendo moeda. 

Também contribuiu para o recuo da cotação o fato de, no exterior, o dólar virar e passar a cair em relação a várias moedas de países emergentes, exportadores de commodities.

No Brasil, outro fator que pesou no câmbio foi a audiência do presidente do Banco Central, Alexandre Tombini, no Senado. Ele defendeu o lado positivo da alta do dólar e disse que, pela primeira vez desde 2005, o setor externo está contribuindo para o PIB. Tombini afirmou que a forte desvalorização do real não tem sido fator de desequilíbrio e instabilidade, como no passado. “A economia está menos exposta a riscos cambiais do que no passado. Desde 2007 o setor público é credor em moeda estrangeira.”

Questionado por parlamentares, Tombini disse que “swap (ação do BC no câmbio, que corresponde à venda de dólares) não é fragilidade, é o instrumento que temos”. Ao abordar a taxa de câmbio, disse que o “Banco Central nunca falou que equação financeira fica mais favorável com alta de dólar”. 

Bolsa. As dúvidas sobre a viabilidade do pacote também influenciaram a Bolsa de Valores. O índice Ibovespa teve forte oscilação, mas fechou praticamente estável, com alta de 0,17%, aos 47.364,06 pontos. O pacote agradou principalmente ao setor financeiro, que praticamente não foi penalizado pela alta de impostos. Mas a incerteza sobre a aprovação das propostas trouxe cautela aos negócios.

A lista de maiores altas do Ibovespa nesta terça-feira foi liderada pela operadora de telefonia Oi (+4,98%), seguida pela construtora MRV ON (+3,92%). Do outro lado, Qualicorp ON caiu 6,69% e liderou as perdas, seguida por Rumo ON (-4,43%). / COLABOROU CLAUDIA VIOLANTE

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