Ericsson deve fornecer rede GSM da Vivo

A Ericsson deve fornecer a maior parte da rede com tecnologia GSM da operadora brasileira de celular Vivo, segundo o jornal sueco Dagens Industri. No Brasil, uma fonte próxima das negociações afirma que os contratos estão bem próximos de serem assinados. A sueca Ericsson deve ficar com o núcleo da rede. As cidades menores seriam atendidas com equipamentos da chinesa Huawei.A Vivo, a Ericsson e a Huawei preferiram não comentar o assunto. Um relatório do banco Morgan Stanley, divulgado no início do mês, estimou em US$ 1,25 bilhão o investimento adicional da Vivo, somente em 2007, para instalar a rede GSM. Outras estimativas chegam a falar num investimento de US$ 2,5 bilhões. A maior operadora de telefonia celular do País é a única a utilizar a tecnologia CDMA, que, apesar de contar com velocidades maiores de comunicação de dados, tem aparelhos mais caros, por causa da menor escala. Os concorrentes - como a TIM, a Claro e a Oi - usam o GSM, sistema mais adotado no mundo. A idéia da Vivo é trabalhar com as duas tecnologias, instalando uma nova rede que funcionará ao lado da atual.A Vivo é uma sociedade, com participações iguais, entre a espanhola Telefónica e a Portugal Telecom. Mês passado, o presidente da operadora portuguesa, Henrique Granadeiro, anunciou que a Vivo "terá o GSM disponível antes do Natal". Em maio, o GSM, a última tecnologia a chegar ao País, tinha 56,35% da base de 92,4 milhões de usuários de celular. O CDMA contava com 27,46%.A Vivo está em crise desde o ano passado, combinando falta de rentabilidade e queda na participação de mercado. Em maio, a operadora tinha uma fatia de 33% do mercado. Em março de 2003, as empresas que formaram a Vivo tinham, juntas, 47,1% do total de assinantes. Ao mesmo tempo em que perde mercado, a Vivo saiu de um lucro líquido de R$ 42,1 milhões no primeiro trimestre de 2005 para um prejuízo de R$ 179,3 milhões no mesmo período deste ano. O presidente da Vivo, Roberto Lima, afirmou, em maio, que a idéia é voltar à lucratividade nos últimos meses deste ano.Em seu blog, Luís Minoru Shibata, diretor-geral para a América Latina da consultoria Yankee Group, apontou que não faz sentido para a Vivo uma migração para o GSM. "O retorno de um investimento deste tamanho seria longo demais", escreveu. Para ele, seria acrescentar uma etapa desnecessária no caminho da empresa para a terceira geração (3G).

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