Espanha e Grécia preocupam e Bolsas da Europa fecham em queda

Recuo nas vendas de novas residências nos EUA em agosto também azedou o humor do investidor

SERGIO CALDAS, Agencia Estado

26 de setembro de 2012 | 14h29

As bolsas europeias tiveram fortes quedas nesta quarta-feira, com os investidores mais uma vez se deixando influenciar pela difícil situação da Espanha e da Grécia. O índice Stoxx Europe 600 encerrou o dia com baixa de 1,8%, terminando aos 270,72 pontos, o menor nível desde o último dia 5.

Incertezas sobre a Espanha, que ainda não confirmou se pedirá um programa de ajuda integral, pressionaram os yields dos bônus espanhóis. O do título de dez anos chegou a ultrapassar 6% nesta quarta-feira, um dia depois de o primeiro-ministro do país, Mariano Rajoy, afirmar que fará o pedido de ajuda se os custos de financiamento da quarta maior economia da zona do euro permanecerem "muito altos por muito tempo".

Além disso, protestos realizados nesta terça-feira (25) diante do Parlamento espanhol, contra o aprofundamento das medidas de austeridade de Madri, deixaram 64 feridos e levaram à prisão de 38 pessoas. Nesta quinta-feira (27), a Espanha deverá anunciar seu orçamento de 2013, além de um novo plano econômico.

Na Grécia, os sindicatos realizaram nesta quarta-feira uma greve geral, também motivada pela austeridade, em um momento em que Atenas se prepara para apresentar um novo pacote de cortes orçamentários e medidas para impulsionar a arrecadação de impostos, de cerca de 13,5 bilhões de euros, que depende da aprovação da coalizão governista e dos credores internacionais do país. Em jogo está a liberação de um novo pagamento à Grécia de 31,5 bilhões de euros, como parte do pacote de ajuda concedido a Atenas.

No âmbito macroeconômico, as notícias também não foram favoráveis. Nos EUA, as vendas de novas residências acabaram recuando em agosto, frustrando a previsão de alta dos economistas, segundo dados do Departamento do Comércio norte-americano.

A Bolsa de Madri, que aguarda o anúncio do orçamento espanhol do ano que vem e sofre com preocupações sobre as finanças da Espanha, apresentou a maior queda do dia, de 3,92%, com o índice Ibex 35 recuando para 7.854,40 pontos.

Em Londres, o índice FTSE 100 caiu 1,56% e fechou aos 5.768,09 pontos. Os setores financeiro e de mineração tiveram as maiores perdas, com Royal Bank of Scotland e Lloyds Banking Group recuando 5,5% e 4,3% respectivamente, e Evraz registrando queda de 4,7%.

O índice CAC 40, de Paris, encerrou a sessão na mínima do dia, aos 3.414,84 pontos, 2,82% abaixo do nível de ontem. Todas as blue chips francesas terminaram em baixa. Foi o caso dos bancos Crédit Agricole (-7,5%), Société Générale (-6,4%) e BNP Paribas (-5,5%), e da montadora Renault (-4,7%), que reduziu sua projeção de vendas para a França e Europa.

Em Frankfurt, o índice Dax registrou baixa de 2%, chegando ao fim do pregão aos 7.276,51 pontos. Também na Alemanha, os bancos sofreram fortes perdas: Deutsche Bank recuou 6,5% e Commerzbank caiu 5,7%.

A bolsa italiana teve o segundo pior desempenho do dia. Em Milão, o índice FTSE Mib caiu 3,29% e encerrou aos 15.408,03 pontos, com pressão do Banco Popolare (-6,2%), UBI Banca (-5,8%) e UniCredit (-5,03%). No mercado português, o índice PSI 20 recuou 2,25%, fechando aos 5.213,57 pontos.

Apesar de a Grécia ter sido nesta quarta-feira um dos fatores de pressão na Europa, a Bolsa de Atenas acabou fechando em alta de 0,4%, com o índice ASE terminando a 755,09 pontos, após notícias de que o Ministério das Finanças grego fechou um acordo para o novo pacote de austeridade do país. As informações são da Dow Jones.

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