Espanha injetará mais bilhões de euros nas 'cajas', diz jornal

Movimento seria o reconhecimento de que os esforços anteriores do governo espanhol para colocar as instituições em ordem ainda não tiveram sucesso, segundo Wall Street Journal

Danielle Chaves, da Agência Estado,

20 de janeiro de 2011 | 09h12

A Espanha planeja injetar mais bilhões de euros nos problemáticos bancos de poupança do país, as chamadas "cajas", e forçá-las a serem mais claras sobre suas práticas relacionadas a empréstimos, informaram pessoas próximas ao assunto ao Wall Street Journal. O movimento seria o reconhecimento de que os esforços anteriores do governo espanhol para colocar as instituições em ordem ainda não tiveram sucesso.

Segundo as fontes, autoridades do governo estão planejando levantar cerca de 30 bilhões de euros, embora haja estimativas de que o montante planejado seja menor. Ontem, fontes disseram que a Espanha está se preparando para emitir 3 bilhões de euros (US$ 4 bilhões) em dívida nos próximos dias por meio do Fundo para a Reestruturação Ordenada dos Bancos (Frob).

A esperança é de que uma série de injeções de capital reduza as preocupações dos investidores sobre as cajas, que têm sido um enorme problema para a Espanha enquanto o país tenta convencer os mercados de que as finanças do governo estão estáveis. "Nós achamos que a reestruturação e recapitalização dos bancos de poupança da Espanha provavelmente é o assunto mais importante para o governo nesse cenário", comentou Antonio Garcia Pascual, economista do Barclays Capital.

No entanto, levantar capital para as cajas tem riscos, já que isso vai se somar às necessidades de financiamento do governo. Economistas estimam que o país precisa tomar emprestados 125 bilhões de euros neste ano apenas para financiar seu déficit e rolar dívidas.

O governo espanhol também está tentando aumentar a confiança nas cajas com medidas para simplificação das complexas estruturas das instituições, com o objetivo de torná-las mais parecidas com bancos tradicionais. O governo estuda ainda fazer mudanças para permitir que o Frob injete capital nos bancos por meio de compras diretas de fatias nas instituições, o que é considerado o tipo de investimento mais seguro e que daria ao governo mais controle sobre as instituições.

Além disso, as autoridades estão considerando a possibilidade de criar um "banco ruim" administrado pelo governo para os ativos tóxicos de algumas cajas, segundo uma das fontes. No entanto, ainda não se sabe como essa entidade seria financiada e estruturada. As informações são da Dow Jones.

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