Espanha preocupa e bolsas na Europa fecham com perdas

O governo espanhol hesita em pedir um pacote de ajuda integral à União Europeia

Sergio Caldas, da Agência Estado,

18 de setembro de 2012 | 14h09

As principais bolsas europeias fecharam em baixa generalizada pelo segundo pregão seguido nesta terça-feira, pressionadas por preocupações com a Espanha e pela realização de lucros que se seguiu ao rali alimentado pelas medidas de estímulo anunciadas na semana passada pelo Federal Reserve, o banco central americano. O índice Stoxx Europe 600 encerrou o dia com queda de 0,4%, aos 273,80 pontos.

O governo espanhol está hesitando em pedir um pacote de ajuda integral à União Europeia, impedindo que o Banco Central Europeu (BCE) dê início a um novo programa de compras de títulos soberanos para auxiliar as economias problemáticas da zona do euro, como a própria Espanha e a Itália. "A Espanha voltou ao centro das atenções, levando muitos a questionarem se o forte rali no fim da última semana ainda tem algum fôlego", comentou a Capital Spreads.

Na sexta-feira, as ações europeias tiveram uma sessão de euforia e fortes ganhos, um dia após o Fed, numa tentativa de sustentar a recuperação econômica dos EUA, decidir implementar uma terceira rodada de relaxamento quantitativo, conhecida como QE3.

Por outro lado, os indicadores que saíram nesta terça-feira na Europa e EUA, de modo geral, favoreciam os mercados. Logo cedo, o instituto ZEW anunciou que as expectativas econômicas na Alemanha melhoraram pela primeira vez em cinco meses em setembro. O índice do ZEW, no entanto, avançou menos do que os economistas previam. No Reino Unido, a taxa anual de inflação apresentou ligeira desaceleração em agosto, para 2,5%, de 2,6% em julho.

Nos EUA, o déficit em conta corrente caiu mais do que o esperado no segundo trimestre, para US$ 117,41 bilhões, ante previsão de um resultado negativo em US$ 125 bilhões no período de abril a junho. Já o índice de confiança das construtoras americanas atingiu o maior nível em seis anos em setembro.

Em Londres, o índice FTSE-100 caiu 0,43%, fechando a 5.868,16 pontos. A Aviva, maior seguradora do Reino Unido, recuou 4% depois de suas ações sofrerem dois rebaixamentos. No setor de energia, as perdas foram dos grupos BG (-2%) e Royal Dutch Shell (0,8%). Em Paris, o índice CAC 40, registrou queda de 1,15%, para 3.512,69 pontos. Também afetadas por rebaixamentos, France Telecom e Schneider caíram 3,9% e 3,2%, respectivamente, na bolsa francesa.

O índice Dax, de Frankfurt, terminou a sessão aos 7.347,69 pontos, 0,76% abaixo do nível de segunda-feira (17), com pressão do Deutsche Bank (-4,9%), Infineon (4,1%) e Commerzbank (-3,4%). Em Madri, o índice Ibex 35 mostrou declínio de 1,10% e fechou aos 8.058,30 pontos. Os maiores bancos espanhóis tiveram um desempenho fraco, com BBVA e Santander encerrando o dia com respectivas baixas de 2,9% e 2,2%. Também pesou no mercado espanhol a Telefónica, cujas ações caíram 1% após o anúncio de mudanças na área executiva.

A Bolsa de Milão voltou a ter a pior performance, com o índice FTSE MIB recuando 2,39%, para 16.076,03 pontos. Em Lisboa, o índice PSI20 perdeu 1,81%, para 5.301,60 pontos.

Entre bolsas europeias menores, a de Atenas foi o destaque. O índice ACE saltou 2,9%, para 755,98 pontos, sustentado pela notícia de que a Grécia espera finalizar os detalhes do pacote multibilionário de cortes de gastos até domingo, segundo o ministro de Finanças, Yannis Stournaras. A Grécia quer convencer os credores internacionais de que merece mais uma parcela da ajuda financeira oferecida ao país. As informações são da Dow Jones.

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