Especial: Ganhos financeiros garantem lucro das elétricas

Boa parte do lucro obtido pelas empresas do setor elétrico no ano passado veio dos ganhos financeiros e outra parte das revisões tarifárias que, em geral, foram muito favoráveis. Levantamento realizado pela Agência Estado, com base no balanço de onze empresas distribuidoras e geradoras com ações negociadas em bolsa, mostra que essas concessionárias tiveram juntas lucro líquido de R$ 6,17 bilhões, com alta de 70,6% na comparação com 2004. Mais uma vez o câmbio ajudou o setor, com a apreciação do real de 11,8% no ano. "A desvalorização do dólar contribuiu para diminuir a dívida das empresas e muitas delas conseguiram condições mais favoráveis de financiamento, com juros mais baixos", diz um dos analistas do Bank Boston, Oswaldo Telles Filho. Além disso, houve ganhos financeiros decorrentes do próprio processo de revisão tarifária. "No caso da Cemig, por exemplo, que teve o reconhecimento de uma compensação de R$ 600 milhões pela revisão de tarifas do passado, o impacto no resultado financeiro foi de R$ 150 milhões, referente à correção do valor não recebido no passado", explica o analista do banco UBS, Gustavo Gattass. As onze empresas pesquisadas conseguiram uma redução de 45,7% no déficit financeiro, que passou de R$ 3,7 bilhões negativos para R$ 2 bilhões negativos. Os ganhos operacionais aconteceram em razão da revisão tarifária. "O crescimento físico no volume de energia vendida foi bom, mas não foi surpreendente, no entanto, somado aos efeitos das revisões tarifárias, garantiu o aumento da receita e do Ebitda", afirma a analista do ABN Amro Real, Rosângela Ribeiro. A melhora no fluxo de caixa medido pelo Ebitda foi pequena, de apenas 8%. Isso ocorreu, segundo Telles Filho, pelos vários fatos não recorrentes que resultaram em provisões, como a mudança de critério para o cálculo dos investimentos em pesquisa e desenvolvimento. Para 2006, a expectativa é que os ganhos financeiros sejam menores, tanto pela previsão de um câmbio mais estável, como pela queda da taxa básica de juros, a Selic. Na contramão dos demais segmentos econômicos , o setor elétrico foi beneficiado pela Selic alta de 2005. Gattass, do UBS, explica que as empresas têm a maior parte da suas dívidas indexadas pelo IGP-M, incluindo os débitos antigos com a Eletrobrás, que funcionava como financiadora do setor. Outra parte ainda é corrigida pela Taxa de Juros de Longo Prazo (TJLP), decorrente de dívidas com o BNDES. Ao mesmo tempo, as distribuidoras têm créditos com os consumidores que são reajustados pela Selic. Fizeram parte do levantamento da Agência Estado as seguintes empresas: AES Tietê, Celesc, Cemig, Cesp, Copel, CPFL Energia, Elektro, Eletropaulo, Energias do Brasil, Light e Tractebel. O grupo Eletrobrás não foi incluído porque o câmbio tem efeito contrário ao das demais empresas do setor, em razão de a energia de Itaipu ser cotada em dólar. A inclusão do grupo causaria distorções nos números consolidados.

Agencia Estado,

19 Abril 2006 | 07h00

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