Especial: ouro em barra versus papel

Existem duas formas de aplicação em ouro: aquele que você compra em barras e o contrato de ouro negociado na Bolsa de Mercadorias & Futuros (que corresponde a uma barra de 250 gramas). O mercado oferece ainda opções de compra e venda. No caso da BM&F, o aplicador só leva a barra de ouro para casa se quiser, mas essa atitude, além de arriscada, é um péssimo negócio. Isso porque aí ele perde a garantia da custódia e, se quiser devolver para negociar de novo, por exemplo, a barra terá de passar por uma avaliação, o que demanda tempo e dinheiro. A maioria dos analistas sugere, portanto, que o investidor só leva o contrato que registra a compra para casa. Na mão Apesar da recomendação, há pessoas que se sentem mais confortáveis se tiverem o ouro guardado próximo a elas. O pernambucano e dono de uma revenda de carros Sebastião Lima de Camargo é primo de um ourives e árduo defensor do metal. "Tenho 59 anos e há pelo menos 20 vou comprando um bocadinho aqui e outro ali, assim me sinto seguro." Ele não revela, claro, o local onde guarda seu tesouro, mas garante que tem o esconderijo perfeito e "bem pertinho". Para se assegurar da pureza do metal, Camargo diz que opera com o mesmo corretor há muitos anos. "Não quero dizer quem é, mas ele tem tudo certinho, que é o cadastro junto às autoridades." O comerciante explica ainda que sua preferência é porque quer deixar como herança "algo realmente concreto" para sua filha única que lhe deu seu único neto. "Acho que será lindo quando eles tiverem noção de todo o ouro que venho guardando." A qualificação do corretor que opera com ouro físico é fundamental para a seriedade do negócio, endossa o diretor da Ourominas Corretora, Juarez de Oliveira Silva Filho. "É preciso registro no Banco Central e na Comissão de Valores Mobiliários. O aplicador deve checar também há quanto tempo a corretora existe no mercado." O executivo fala que seus clientes têm uma relação de "entesouramento". "Do mesmo jeito que se compra um carro ou uma casa, quem investe em ouro gosta de saber que pode guardá-lo e, melhor, que jamais vai se estragar." É preciso destacar, entretanto, que a alternativa do investimento em ouro tem características semelhantes às do mercado acionário: deve ser considerada como aplicação de longo prazo porque está sujeita a fortes variações de preços. Além disso, o ouro está atrelado à cotação do dólar no País, e a maioria dos analistas aposta que o preço da moeda americana não irá subir no médio prazo - a maioria acredita, inclusive, na queda de preços.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.