Especial: ouro volta à cena com agitação externa e diversificação

Depois de anos na berlinda, houve uma conspiração favorável para os investimentos em ouro. Nos dois primeiros meses do ano, enquanto outras aplicações financeiras de risco, como em ações, encolheram o patrimônio do investidor, o metal liderou o ranking de aplicações no País. No mercado internacional, os produtos preciosos negociados nas Bolsas continuaram subindo na onda de alta iniciada há anos. Incluir o ouro como estratégia de diversificação de carteiras é uma prática que tem voltado a ser comum entre investidores internacionais, afiança o administrador de investimentos Fabio Colombo. "É uma opção semelhante à de atuar em outras moedas e voltou a ganhar espaço nos últimos tempos", diz o especialista. Colombo lembra a forte queda das cotações nos anos 90, quando o preço cedeu até em torno de US$ 250, depois de picos anteriores em torno de US$ 600. As cifras referem-se ao contrato de 31 10348 gramas de ouro fino negociado em Londres, principal mercado de negócios com ouro à vista no planeta. O presidente da Associação Nacional do Ouro (Anoro), José Inácio Franco, relembra que o esplendor do ativo havia minguado tanto aqui quanto no exterior. Na década passada, houve o boom do primeiro grande crescimento global e o foco nas empresas de internet, o que fez o ouro ficar relegado aos (velhos portfólios) suíços. "E olhe lá, ninguém mais quis saber da riqueza brilhante." No Brasil, a aplicação seguiu a tendência e havia perdido o charme alardeado desde os tempos dos nossos avós. "Havia muitos negócios com ouro devido à inflação, mas a progressiva estabilidade econômica tirou o brilho desse mercado", descreve Franco. O cenário, entretanto, voltou a mudar na virada do século e, especialmente, nos últimos dois anos. "A preocupação da moeda norte-americana como garantia de valor, a movimentação de diferentes gestores de fundos à busca de novos tipos de aplicações, e o crescimento da China e da Índia, onde o ouro é tradicional reduto de poupança, trouxeram o ouro de volta como diversificação de moeda e reserva de valor contra a inflação", acredita o presidente da Anoro. Mais que isso, chegou a haver uma explosão de compras por indianos e chineses que enriqueceram e priorizaram essas compras Ao mesmo tempo, os conflitos no Oriente Médio geraram o medo de desabastecimento global de petróleo e voltaram a estimular o ouro como "porto seguro" de investimento.

Agencia Estado,

13 de março de 2007 | 07h00

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