Estatal venezuelana vai explorar gás na Bolívia

O governo Hugo Chávez vai se associar à estatal boliviana Yacimientos Petrolíferos Fiscales Bolivianos (YPFB) para buscar petróleo na região norte do departamento (Estado) de La Paz. O acordo, que deve ser anunciado em outubro, é o primeiro passo concreto na parceria entre a estatal venezuelana PDVSA e a YPFB, anunciada logo após a nacionalização do setor.A região de La Paz ainda não produz petróleo, mas estudos feitos nas décadas de 70 e 80 pela YPFB apontam indícios da existência de reservas. Nos últimos meses, moradores da Província de Franz Tamayo anunciaram ter encontrado sinais de petróleo no solo e pediram ao governo que retome as pesquisas. A exploração na área, porém, deve enfrentar barreiras ambientais, já que, segundo a Agência Boliviana de Informações (ABI) o petróleo fluiria dentro de um parque natural, protegido por lei.A ABI informou ontem que o presidente da PDVSA na Bolívia, Miguel Terrazona, anunciou oficialmente o interesse na parceria. A idéia é que os bolivianos tenham maioria no consórcio. "Há um desejo na PDVSA, compartilhado com o presidente Evo Morales, de participar nos blocos ao norte de La Paz e talvez no próximo mês estejamos anunciando o início dos procedimentos formais para entrar nos campos", disse o embaixador venezuelano na Bolívia, Julio Montes.Desde o início do governo Evo, a Venezuela vem se apresentando como principal parceiro dos bolivianos, que enfrentam fortes protestos vindos das petroleiras, donos de terras e outros setores afetados pela nacionalização dos recursos naturais. Com a aproximação, o governo Chávez tem sido acusado, inclusive, de influenciar na elaboração do novo modelo para o setor de petróleo.Em junho, as duas estatais assinaram uma série de convênios de parceria que poderá render investimentos de até US$ 1,5 bilhão na Bolívia, em áreas como exploração de petróleo, refino, comércio de combustíveis e petroquímica. Até agora, porém, nenhum dos projetos foi detalhado.AuditoriasO ministro dos Hidrocarbonetos, Carlos Villegas, determinou às auditorias que estão esmiuçando os ativos das petroleiras privadas que entreguem os resultados até o dia 10 de outubro. Os documentos servirão como base para La Paz definir a remuneração que será dada a cada concessionária e os investimentos necessários para ampliar a capacidade de produção.As auditorias estão avaliando os investimentos já feitos até agora, a rentabilidade dos projetos e as reservas existentes, entre outras variáveis. Segundo declarações do ministro, o trabalho está "entre 40% e 70%" pronto. O governo corre contra o tempo para respeitar o prazo para a assinatura dos contratos, que vence em 28 de outubro.A Petrobras divulgou nota ontem reafirmando sua confiança no abastecimento de gás boliviano. O texto foi uma reação a estudos que apontam que o país vizinho não tem condições de cumprir todos os seus contratos de exportação, por causa da redução dos investimentos exploratórios. Segundo o texto, a Petrobras Bolívia, operadora dos principais campos exportadores de gás no país, vem realizando os investimentos necessários para manter a produção nos níveis exigidos pelo contrato. Os dois campos operados pela estatal respondem por cerca de 80% das exportações.

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