Estrangeiro fica com 75% de novas ações na Bovespa

Estudo desenvolvido pela Sociedade Brasileira de Estudos de Empresas Transnacionais e da Globalização Econômica (Sobeet) mostra que o número de empresas que abriu seu capital na Bolsa de Valores de São Paulo aumentou consideravelmente desde 2004. O valor financeiro dessas transações também foi crescente. Do início de 2004 até maio deste ano, os lançamentos de IPOs (Inicial Public Offerings, na sigla em inglês, ou oferta pública inicial) somaram R$ 17,9 bilhões. Os investidores estrangeiros adquiriram nos primeiros quatro meses do ano 75,4% das IPOs, ante 54,4% durante todo o ano de 2004. O aumento da participação estrangeira também se traduziu em maior entrada de dólares, de US$ 2,7 bilhões em 2005 e US$ 2,1 bilhões nos quatro primeiros meses de 2006), beneficiando o Balanço de Pagamentos do País. Os economistas da Sobeet destacam que há fortes incentivos para os investidores estrangeiros manterem o interesse nas empresas brasileiras que chegam à Bolsa. Em média, os papéis envolvidos nessas ofertas primárias de ações registraram valorização de 95% ao ano desde a data de lançamento até 1º de junho deste ano, ante uma variação de 17,18% ao ano da taxa de juros CDI (certificados de depósitos interfinanceiros) e de 24,6% ao ano do índice Bovespa. Para calcular a valorização a média das ações, a Sobeet ponderou a taxa de variação de cada papel pelo volume financeiro das IPOs. Das 29 empresas que abriram seu capital, dez apresentaram queda no preço de suas ações. As ações da Grendene e da Renar Maçãs foram as que mais caíram desde a sua estréia na Bolsa. Dentre os destaques positivos, estão as ações da Cosan, que tiveram valorização de 190% desde a sua estréia na Bolsa - o equivalente a uma taxa de 610% ao ano. Outras empresas como Lojas Renner, Localiza, TAM, Cyrella e BrasilAgro apresentaram valorização expressiva desde o seu lançamento até maio último. O aumento da participação estrangeira também se traduziu em maior entrada de dólares, de US$ 2,7 bilhões em 2005 e US$ 2,1 bilhões nos quatro primeiros meses de 2006, beneficiando o Balanço de Pagamentos do país. Em termos setoriais, diz o estudo, as ações que mais se valorizaram são as de empresas que negociam bens de consumo - resultado muito influenciado pelo desempenho de papéis como Cosan e BrasilAgro. Segundo a Sobeet, "há fortes incentivos para os investidores estrangeiros manterem seu interesse nas empresas brasileiras que chegam à Bolsa, sem contar a MP 281 aprovada pelo Senado, que isentou de Imposto de Renda as aplicações de investidores estrangeiros em títulos públicos. "As IPOs estão aumentando a representatividade de setores que provavelmente se beneficiarão de um cenário macroeconômico no qual as taxas de juros reais caem de forma sustentável, como o setor mobiliário", diz a Sobeet.

Agencia Estado,

08 de junho de 2006 | 08h53

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