Estratégia agressiva da Claro acirra concorrência no celular

"Queremos ser líderes de mercado", afirmou Marcos Quatorze, diretor de Serviços de Valor Adicionado da Claro, terceira maior operadora celular do País. "O acionista é muito agressivo e cobra isso da gente." O acionista é o mexicano Carlos Slim Helú, terceiro homem mais rico do mundo na lista da revista Forbes, que domina o mercado de telecomunicações do México e briga com a Telefónica pela hegemonia na América Latina. A empresa não divulga, no entanto, uma data em que pretende assumir a liderança. "É uma visão de longo prazo", explicou Quatorze.Entre março e maio, a Claro foi a companhia que mais conquistou clientes, segundo dados da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel). Foram mais de 500 mil por mês. "Continuamos com a estratégia de crescimento", afirmou Roberto Guenzburger, diretor de Marketing da Claro. Em entrevista ao jornal O Estado de S.Paulo, em maio, o presidente da Vivo, Roberto Lima, reclamou da estratégia da Claro de vender celulares pós-pagos a R$ 1, promoção lançada no Natal de 2005 e retomada no Dia das Mães deste ano. "É uma prática normal em todos os países em que a concorrência é forte", afirmou Guenzburger, acrescentando que, no mercado americano, existem aparelhos a US$ 1. No México, a Telcel (empresa do mesmo grupo da Claro) oferece celulares grátis para quem se compromete com contratos de longo prazo."A briga agora é pelo pós-pago porque traz rentabilidade", explicou Guilherme Marins, analista da Ativa Corretora. "O grande boom de mercado já passou. A tendência agora é que uma operadora busque conquistar o cliente da outra. O custo maior hoje é de reter clientes."A agressividade da empresa não faz muito bem aos seus resultados financeiros. Ela registrou Ebit (sigla em inglês de lucro antes de juros e impostos) negativo de R$ 161 milhões no primeiro trimestre. A perda foi, no entanto, 37,4% menor que os R$ 257 milhões verificados no mesmo período de 2005. A Claro não divulga os resultados finais do balanço. Seus resultados são consolidadas nos números da controladora, a América Móvil. Os 19,4 milhões de clientes que tinha a Claro em março correspondiam a 19,3% do total da base da América Móvil, que também está presente no México, Argentina, Chile, Paraguai, Uruguai, Colômbia, Equador, Peru, Estados Unidos e países da América Central."O que torna mais difícil a competição é que ninguém sabe até quando a Claro está disposta a apostar no crescimento da base", afirmou Luis Minoru Shibata, diretor-geral para a América Latina da consultoria The Yankee Group.A Claro contratou recentemente João Cox Neto, ex-presidente da Telemig Celular, para a sua diretoria de Suporte ao Negócio. A contratação de Cox foi vista como uma preparação para a compra da Telemig Celular, já que a operação da Claro em Minas é recente. A compra colocaria a Claro em segundo lugar e a menos de cinco pontos porcentuais da primeira colocada, a Vivo. A empresa prepara mesmo esse movimento? "Sem comentários", disse Guenzburger.Enquanto isso, a Claro procura se fortalecer no mercado de serviços, principalmente para o cliente pós-pago. A companhia lança esta semana o Blackberry, aparelho para correio eletrônico, para clientes individuais. A TIM foi a primeira a trazer a tecnologia ao Brasil, para empresas. O aparelho da Claro custa pelo menos R$ 699 e a assinatura mensal sai a partir de R$ 75, com a possibilidade de cadastrar até 10 contas de correio eletrônico.No começo do mês, a Claro baixou o preço da mensagem de texto à noite. "O Brasil tem uma das utilizações mais baixas do serviço", afirmou Quatorze. "Em média, o cliente brasileiro manda, em média, 10 vezes menos torpedos que o de outros países da América Latina."A Claro também prepara o lançamento de um pacote de 12 canais de TV para serem assistidos no celular, que incluem a CNN e o Cartoon Network. "Um provedor está querendo fazer conteúdo exclusivo", disse Quatorze. "O celular caminha para o modelo de banda larga, em que o cliente paga uma mensalidade e tem uso ilimitado do serviço de dados."

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