EUA decidem manter subsídios às petroleiras

 Proposta do presidente Barack Obama de eliminar os subsídios foi derrotada no Senado; incentivos chegam a US$ 20 bilhões ao ano

Denise Chrispim Marin, correspondente de O Estado de S. Paulo,

29 de março de 2012 | 23h14

WASHINGTON - A eliminação dos subsídios do governo americano às cinco maiores companhias petroleiras em atividade no país, uma benesse de US$ 20 bilhões ao ano, foi derrubada nesta quinta-feira pelo Senado. A decisão dos senadores representou uma dupla derrota para o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, defensor ardoroso dessa medida. 

Em termos econômicos, Obama perdeu a única fonte disponível para incentivar projetos de energia renovável. Trata-se de um setor que está no centro de sua política para crescimento da atividade americana. Em termos políticos, sua batalha pelo fim dessas subvenções fracassou na Casa onde seu partido, o democrata, detém a maioria das cadeiras. 

A votação terminou com 51 votos contra e 47 a favor do projeto de lei do senador democrata Robert Menéndez. Seriam necessários 60 votos favoráveis para a aprovação do texto, que impediria a Exxon, a Chevron, a BP, a Shell e a ConocoPhillips reclamar uma série de reduções de tributos. O projeto permitiria também a prorrogação de incentivos fiscais prestes a expirar para projetos de energia renovável e a oferta de novas subvenções a esse setor.

Dois senadores republicanos cruzaram a linha partidária e votaram em favor do projeto. Mas, quatro democratas se somaram à oposição republicana. "Chegou a hora de parar de confiar nas grandes companhias de petróleo para fazer o certo com o nosso dinheiro e para usá-lo em algo que realmente faça sentido", apelou antes da votação o senador Menéndez, para quem os subsídios a esse setor são uma "insanidade".

"Esse foi o plano brilhante para lidar com o aumento do preço da gasolina: aumentar os impostos para empresas de energia. Isso é realmente o melhor que temos a oferecer à população que está observando o preço da gasolina ao redor de US$ 4 por galão?", ironizou o senador Mitch McConnell, líder da minoria republicana.

Pouco antes da votação, o presidente Obama convocou a imprensa, na Casa Branca, para defender o projeto de lei. Ele insistiu que as grandes petroleiras não estão enfrentando dificuldades. No ano passado, as três maiores teriam acumulado lucro de US$ 80 bilhões. Entre elas, a Exxon lucrara US$ 4,7 milhões por hora. Todas as cinco teriam auferido lucro de US$ 140 bilhões. Obama ainda argumentou que, a cada aumento de um centavo de dólar no preço do galão de gasolina, as companhias petroleiras "embolsam" US$ 200milhões por trimestre. 

"Apesar disso, essas companhias pagam alíquotas menores de imposto do que a maioria das outras companhias recolhe sobre seus investimentos. Em parte, (isso acontece) porque doamos a elas bilhões a cada ano."

Eleição

O temor de aumento de preços nas bombas de gasolina é um componente crítico para a eleição presidencial de novembro. Não está claro ainda se a decisão Senado influenciará o preço nas bombas. O valor médio do galão cobrado ontem nos EUA era de US$ 3,92, mas especialistas preveem seu aumento para US$ 5 em meados do ano, quando boa parte dos americanos aproveita as férias de verão e viaja de carro. 

Como meio de contornar essa pressão sobre os preços, Obama liberou recentemente novas áreas de exploração no Golfo do México e na Costa do Atlântico, antes sem acesso das petroleiras, e vem estimulando o setor de energia renovável. Mesmo com a redução substancial nas importações da commodity nos últimos anos, os EUA consomem 20% da produção mundial de petróleo e possuem apenas 2% das reservas do planeta.

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