EUA impulsonam boom de ações de emergentes, diz FT

Os investidores norte-americanos aplicaram US$ 68 bilhões em fundos mútuos internacionais este ano, mais do que o dobro do montante alocado em fundos dos EUA, diz reportagem do Financial Times (www.ft.com). Os recursos foram dirigidos não somente para os mercados já estabelecidos da Europa, mas também para países emergentes, como Brasil, Coréia do Sul, Índia, Rússia e Turquia. Os dados, compilados pela TrimTabs Investment Research, uma empresa independente que monitora o desempenho de fundos, destacam o quanto os investidores norte-americanos de varejo estão impulsionando o "boom" das ações de mercados emergentes, mesmo com alguns analistas alertando que o setor possa estar perto do pico. No ano passado, os norte-americanos injetaram cerca de US$ 130 bilhões em fundos de ações estrangeiras, três vezes a quantia aplicada em fundos de ações dos EUA. Os fluxos deste ano, estimados para até 19 de abril, indicam uma relação de 2 para 1, ainda muito alta para os padrões históricos. Durante a década de 1990, a maior parte dos investidores dos EUA colocou muito menos que os 10% a 12% de seus ativos que os consultores geralmente recomendam aplicar em mercados internacionais. Atualmente, 70% de suas aplicações novas vão para o exterior. Segundo o executivo-chefe da TrimTabs, Charles Biderman, "se você acrescenta outros US$ 10 bilhões por mês provenientes de investidores institucionais, fundos de hedge, de commodities e outros, chega-se a US$ 300 bilhões que foram aplicados fora dos EUA no último um ano e meio". "Os investidores norte-americanos têm financiado o crescimento extraordinário dos mercados não norte-americanos. Eles parecem manter a avaliação de que a economia dos EUA não está crescendo muito rápido. Historicamente, grandes fluxos para uma área sinalizam o topo desse mercado. Nos primeiros três meses de 2000 (o pico do mercado), US$ 100 bilhões foram aplicados em fundos de ações dos EUA", disse. O desempenho dos mercados não-norte-americanos produziu retornos consideráveis para quem comprou na baixa. Muitas dessas bolsas tiveram valorização superior à de 5% registrada pelo índice Standard & Poor's-500 no ano passado. Os fluxos para esses mercados fizeram aumentar o receio de que os investidores estejam escolhendo os setores que tiveram bom desempenho nos últimos anos sem levar em conta o fato de que no futuro possa ocorrer um esfriamento. Apesar disso, muitos estrategistas seguem recomendando aos seus clientes nos EUA níveis historicamente elevados de investimento no exterior. Segundo o estrategista de investimento global do JP Morgan Stuart Schweitzer, o investimento em ações não norte-americanas é quase obrigatório. "As companhias de fora dos EUA estão em um estágio muito inicial de corte de custos e realizando eficiências que devem surtir efeito por um longo período (...) e também é mais provável que o dólar caia do que suba. Esses três fatores concorrem para que os investidores continuem aplicando seus recursos lá fora", disse Schweitzer. Ele aconselha seus clientes a aplicarem até um quarto de seus recursos em mercados estrangeiros apesar dos riscos maiores.

Agencia Estado,

25 Abril 2006 | 16h12

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