EUA não terão recessão, diz Barclays

Para o economista Dean Maki, o país poderá crescer 2,1% e haveria espaço até para alta de juro este ano.

Luciana Xavier e Nathalia Ferreira,

25 de julho de 2008 | 17h56

Na contramão das previsões mais apocalípticas, o diretor e economista-chefe para Estados Unidos do Barclays em Nova York, Dean Maki, acredita que os Estados Unidos não estão em recessão nem devem entrar. Maki espera um crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) de 2,1% este ano e ainda melhor em 2009, de 2,4%.Ouça a entrevista  "O crescimento da economia dos EUA está reagindo no segundo trimestre, o que é consistente com os indicadores recentes, especialmente o das vendas de bens duráveis. O segundo trimestre será mais forte e deve ser ainda forte o terceiro trimestre. Está cada vez mais claro que os Estados Unidos não terão recessão este ano", afirmou. As encomendas de bens duráveis aumentaram 0,8% em junho para US$ 215,43 bilhões, sazonalmente ajustados. Economistas esperavam queda de 0,5%. Segundo Maki, a melhora nas vendas de bens duráveis pode ser em parte explicada pela injeção de dinheiro na economia vinda com a devolução de impostos aos cidadãos pelo governo norte-americano.  "Mas esse não foi o fato principal para a melhora. Há algum tempo se observa que os investimentos em negócios começaram a reagir melhor no segundo trimestre", explicou. Outro dado que animou os investidores foi o sentimento do consumidor final de julho da Universidade de Michigan, que subiu a 61,2 em julho, de 56,4 em junho, e ante expectativa dos analistas de queda para 53,6. "É difícil dizer o que colaborou para a melhora da confiança do consumidor. Talvez a queda recente dos preços de petróleo e gasolina tenha ajudado. Mas as oscilações da confiança do consumidor não são relevantes para saber sobre os gastos do consumidor. Por exemplo, a confiança do consumidor foi se deteriorando ao longo do segundo trimestre mesmo diante de uma melhora dos gastos do consumidor. Então, não creio que esse dado dê um bom prognóstico de como o consumidor está gastando", disse. Imóveis A crise imobiliária nos Estados Unidos não acabou, mas o pior pode ter ficado para trás. Segundo Maki, números mais recentes dão sinais de que o ritmo de declínio do mercado imobiliário tende a moderar e se estabilizar nos próximos meses. As vendas de imóveis novos caíram 0,6% em junho, para a média anual sazonalmente ajustada de 530 mil unidades. Economistas tinham previsto recuo de 1,4%. Por outro lado, as execuções imobiliárias nos Estados Unidos saltaram 121% no segundo trimestre em relação ao mesmo período do ano passado e avançaram 14% na comparação com o primeiro trimestre. Inflação x atividade - A prioridade do Federal Reserve (Fed) continua sendo evitar uma recessão nos Estados Unidos e não conter o aumento da inflação, disse o diretor do Barclays Capital. Para ele, com a taxa do Fed Funds em 2% fica claro que o banco central norte-americano quer impulsionar a atividade. "O Fed não está ativamente combatendo a inflação e sim acomodando o crescimento, o que mostra sua prioridade. É improvável que o Fed suba os juros este ano, embora isso fosse o mais apropriado. O mais provável é que os juros sejam elevados no ano que vem, mas será num ritmo muito lento para evitar que o núcleo de inflação se mova mais para cima. Vemos a inflação como um problema importante e não creio que a política do Fed seja capaz de contê-la", analisou o economista. Para Maki, os membros mais "dovish" do Fed, ou seja, aqueles que defendem os juros mais baixos, estão no controle e, para eles, a preocupação maior está no mercado imobiliário, nas condições de crédito e no mercado de trabalho. "Vai levar um tempo até que esses membros mais "dovish" se acostumem com a idéia de que as coisas estão virando nesses setores e que a inflação justificaria uma alta de juros. Roda O mundo deve experimentar uma rotação das perspectivas econômicas nos próximos meses, segundo Maki. "O Reino Unido e Europa deverão ter desaceleração significativa, enquanto os Estados Unidos começam a melhorar. Haverá rotação do crescimento do Reino Unido, Europa e Japão para os EUA. E os países emergentes irão desacelerar este ano, mas ainda manter um crescimento robusto num contexto histórico", comentou. Maki ressaltou que a inflação seguirá como principal problema no mundo e essa preocupação poderá trazer mais volatilidade aos mercados nos próximos meses. Ele disse também que Wall Street poderá voltar a se estressar com mais "baixas contábeis substancias" nas corporações norte-americanas.

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