EUA querem reequilibrar o mundo e parâmetro para câmbio no G-20

Secretário do Tesouro norte-americano, Timothy Geithner, disse que usará os encontros, no fim de semana, para ampliar esforços, de modo que os países dependam menos da maior economia do planeta

Cynthia Decloedt, da Agência Estado,

21 de outubro de 2010 | 09h34

O secretário do Tesouro dos EUA, Timothy Geithner, disse que usará os encontros de ministros das finanças do G-20, no fim de semana, para ampliar esforços de "reequilíbrio" da economia mundial, de modo que dependam menos dos consumidores norte-americanos. Geithner afirmou também que os EUA defenderão o estabelecimento de normas para uma política de câmbio e tentarão convencer os outros países de que não pretendem desvalorizar seu caminho em direção à prosperidade.

O secretário norte-americano, que participará dos encontros, dividiu as moedas mundiais em três grupos: moedas subvalorizadas (China); moedas de países emergentes com câmbio flexível que intervêm ou criam impostos para reduzir riscos provocados por apreciação excessiva de suas moedas; e das grandes moedas que, considera, estão alinhadas.

Em entrevista ao The Wall Street Journal, Geithner afirmou que o mundo precisa seriamente concordar sobre parâmetros para uma política de câmbio. "Nesse momento, não há um senso estabelecido sobre o que é justo", afirmou.

Geithner disse também que os EUA estão pressionando as nações industriais e em desenvolvimento do G-20 para que adotem indicadores numéricos para julgar se superávits ou déficits comerciais individuais são "sustentáveis", uma maneira de avaliar os progressos em direção aos objetivos de um crescimento econômico mais equilibrado.

"As pessoas tentam identificar seus interesses", disse o secretário. "Não se trata de um teste para ser resolvido em suas semanas. Levará de três a cinco anos. Queremos mover o G-20 para uma instituição com mais compromissos", acrescentou.

Sobre moedas, Geithner afirmou que os EUA gostariam que os países estabelecessem normas sobre políticas de câmbio. As autoridades norte-americanas têm dito que as condições não são maduras para um acordo global de câmbio como o Acordo Plaza de 1985 para desvalorizar o dólar. O objetivo, disse uma autoridade sênior do Tesouro, é um acordo para "buscar uma aproximação de cooperação" que levaria a China, mesmo sem exigência explícita, assim como países menores, que estão à sua sombra, a deixar que suas moedas se apreciem.

O secretário do Tesouro norte-americano dividiu as moedas mundiais em três grupos. Em um deles, colocou países com moedas "subvalorizadas por qualquer medida", especialmente a China. Ele disse, no entanto, que se o ritmo de apreciação da moeda chinesa visto desde setembro for mantido, ajudaria a corrigir tal subvalorização. Outros mercados emergentes desempenham um papel, acrescentou. "Se a China acreditasse que, ao mover-se mais rápido outros mercados emergentes se moveriam com eles, seria mais fácil para os chineses se mover", idealizou Geithner.

No segundo grupo, ele colocou "economias emergentes com taxa de câmbio flexível que intervêm ou impõem impostos para tentar reduzir o risco de uma significante sobrevalorização de suas moedas ou bolhas de ativos e pressões inflacionárias". Os EUA não se opõem a tais esforços.

No terceiro grupo, Geithner coloca "as grandes moedas, que estão praticamente alinhadas nesse momento", sugerindo que não vê necessidade de o dólar se desvalorizar mais do que já está frente ao euro e ao iene. O secretário enfatizou que os EUA não buscam uma política que deliberadamente enfraqueça o dólar. No começo desta semana, falando em Palo Alto, na Califórnia, ele afirmou que nenhum país pode "desvalorizar o caminho em direção a prosperidade e a competitividade".

Por fim, uma economia global sólida exige esforços para frear os superávit comerciais em países que crescem com as exportações, como a China, e reduzir os déficits comerciais de países que importam muito, como os EUA.

"O resto do mundo quer que poupemos mais e isso significa demanda menor norte-americana para o resto do mundo. A demanda terá de vir de outras fontes", disse Geithner.

Os países do G-20 concordaram com normas para a política fiscal no encontro de Toronto. Agora, os EUA estão buscando o mesmo para os fluxos comerciais e para os balanços em conta corrente. "Encorajamos nossos parceiros a colocar um pouco mais de conteúdo no esqueleto dos compromissos para o reequilíbrio", disse. "Estamos explorando a possibilidade de chegar a um compromisso para manter os desequilíbrios externos em níveis mais sustentáveis, fazendo concessões para diferentes tipos de países, como os produtores de commodities", observou.

As autoridades norte-americanos têm esperanças de que a China, que projeta um déficit em conta corrente próximo de 4% do PIB nos próximos anos, assuma esse compromisso. Mas um porta-voz do Ministério do Comércio da China, Yao Jian, disse na semana passada que "outros países não têm o direito de comentar sobre um nível adequado para o superávit comercial do país". As informações são da Dow Jones.

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