EUA seguem flertando com recessão no 2º semestre

Matthew Sherwood, da Experian, prevê PIB dos EUA em 1,3% este ano. "Não teremos crescimento mais forte até 2010"

Luciana Xavier,

02 de julho de 2008 | 17h01

A segunda metade de 2008 não trará alívio para a economia dos Estados Unidos, disse o economista-sênior da Experian em Londres, Matthew Sherwood. "Teremos um pouco do mesmo que tivemos na primeira metade. Não há muitos sinais de que a economia dos EUA irá se recuperar. O risco de recessão está lá. O país continua flertando com a recessão e deve ter desaceleração por mais um ano", avaliou ao AE Broadcast Ao Vivo. Ouça a entrevista  Sherwood acredita que os EUA poderão ter PIB negativo no último trimestre do ano e prevê crescimento de 1,3% este ano. Para 2009, o economista reviu para baixo suas projeções e espera PIB de 1,4%. "Não teremos crescimento mais forte até 2010, quando o PIB poderá ficar perto de 3%", afirmou.Para os bancos, a situação ainda exige cautela. "Os bancos começam a sair do olho do furacão, mas ainda enfrentarão restrição de crédito", disse. O problema, segundo ele, é que a crise atingiu a economia real e o fim do furacão pode mostrar que os estragos foram maiores do que se pensava.Embora avalie que a crise norte-americana não é "tão ruim" como outras, contrariando avaliação de analistas que já compararam o momento atual ao da Grande Depressão de 1929, Sherwood acredita que o consumo irá piorar no segundo semestre e os empregos devem encolher ainda mais.Diante desse cenário de economia fraca, o economista da Experian avalia que não é hora de o Federal Reserve começar a subir juro para conter a inflação. Até porque ele aposta em um recuo da inflação diante da queda do consumo. "Chegamos ao fim do ciclo de cortes de juros, mas o aperto monetário não deve começar até 2009", disse.ApertoAo contrário dos Estados Unidos, que deverão esperar até o ano que vem para subir os juros, o Banco Central Europeu (BCE) deverá começar esse processo antes. "Mas não será um ciclo de aperto, mas uma única elevação este ano", disse.As economias emergentes que ainda não estão no processo de aumento de juros devem iniciá-lo no segundo semestre. Segundo Sherwood, a inflação tem se mostrado o principal problema dos emergentes, em especial dos países asiáticos, onde a inflação chega a atingir os maiores índices de mais de uma década.O Reino Unido, por sua vez, também deve aguardar antes de ir na direção de alta de juros. "O Reino Unido está no mesmo barco que os Estados Unidos, com turbulência semelhante", explicou Sherwood.O aperto monetário em vários países deve levar a uma desaceleração mundial na segunda metade do ano. "Os Estados Unidos lideram esse movimento, mas não quer dizer que o país está arrastando todo mundo junto com ele, pois existem outros problemas vindo à tona, como a inflação", disse."Mas a desaceleração global deve trazer algum alívio nos preços das commodities, embora não a ponto de colocá-las de volta a patamares de três ou quatro anos atrás", acrescentou. O petróleo, por sua vez, poderá desacelerar do patamar atual,mas continuará acima de US$ 100 o barril até o final do ano, segundo o economista.RecuperaçãoO Brasil pode não estar crescendo tão rápido como outros emergentes, mas tem mostrado bom gerenciamento da economia, equilíbrio no crescimento e embora haja o risco de ser afetado pela desaceleração global, o País deve continuar brilhando mais que muitos países, na avaliação de Sherwood. "Há uma preferência crescente de investidores estrangeiros pelo Brasil", disse.Outros países, no entanto, devem amargar tempos difíceis, como o Reino Unido, onde a crise no crédito e setor imobiliário se assemelha a dos Estados Unidos, Japão, Itália, Portugal, Espanha e Canadá. Segundo Sherwood, todos esses países estão muito perto da recessão.Uma vez que os EUA comecem a se recuperar, a partir de 2010, Sherwood acredita que esses países poderão se reerguer mais facilmente, como o Canadá. "A recuperação dos EUA ajuda o Canadá e pode dar um impulso a outras economias em 2010, á exceção do Japão, cujo crescimento poderá não ser forte mesmo depois de 2010", comentou.

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