EUA só devem crescer mais forte a partir de 2010

Para Kevin Logan, do Dresdner, pior da disfunção financeira ficou para trás, mas problemas não acabaram

Luciana Xavier e Patricia Lara,

30 de abril de 2008 | 17h44

Mesmo que se livre de uma recessão profunda e longa, a economia dos Estados Unidos só deve voltar a ter crescimento mais robusto a partir de 2010, acredita o economista do Dresdner Kleinwort Investment Bank (DKIB) em Nova York, Kevin Logan. Segundo ele, o fôlego da economia dos EUA deve ficar bem instável este ano e ao longo de todo o ano de 2009.   Ouça a entrevista  Para Logan, o pior da crise norte-americana pode já ser passado, admitindo inclusive que uma melhora consistente na demanda interna poderia evitar a recessão. "Podemos dizer que o pior ficou para trás no sentido da disfunção dos mercados financeiros. Mas os problemas não acabaram. Os bancos terão que levantar capital num ambiente de menos lucratividade do que antes. E o problema para achar o valor correto dos ativos vai continuar", analisou o economista. Logan disse que o fato de o PIB norte-americano ter vindo positivo no primeiro trimestre, com alta de 0,6% ante o trimestre anterior, não significa que os Estados Unidos não estejam em recessão, afirmou hoje o economista, em entrevista ao AE Broadcast Ao Vivo. Segundo ele, é preciso observar, além do PIB, o que ocorre com o nível de desemprego e rendas das famílias. "É possível ter algum crescimento (PIB) e ainda assim ter recessão", disse. "Mas a economia está bem fraca e a sensação é de recessão", afirmou. Ele ressaltou, porém, que somente no segundo semestre será possível dizer se o país entrou ou não em recessão. Até lá, uma recuperação na demanda interna poderia colocar os EUA num cenário menos ruim, que seria de apenas desaceleração da economia. O resultado positivo do primeiro trimestre, que contraria as estimativas mais apocalípticas de alguns economistas, pode ser explicado, de acordo com Logan, pelo aumento das exportações diante da depreciação do dólar e pela acumulação de estoques. "Suspeito que o crescimento dos estoques foi involuntário. As empresas não calcularam bem a desaceleração da economia. No próximo trimestre é provável que tenhamos um PIB negativo, de 0,5%, com o declínio dos estoques", comentou.  Para 2008, a projeção é de PIB positivo de 1,4%, graças ao pacote de estímulo fiscal do governo de George W. Bush. Segundo Logan, o estímulo deve ser sentido nas próximas 10 semanas. Logan avalia que a maior parte das pessoas deverá gastar o dinheiro de restituição de impostos que será recebido do governo e não poupar, como mostram as pesquisas feitas no país.

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