EUA vivem estagflação

Para Josh Stiles, da Ideaglobal, inflação em alta e economia fraca dificultam trabalho do Fed com política monetária

Luciana Xavier e Nathalia Ferreira,

28 de maio de 2008 | 14h57

A economia dos Estados Unidos está fraca e os indicadores apontam para uma recessão. Pior, para uma recessão severa, na opinião do analista para EUA da Ideaglobal em Nova York, Josh Stiles. "Só poderemos definir se há recessão daqui a alguns meses. Mas acredito que poderemos chamar de recessão", disse ao AE Broadcast Ao Vivo.  Ouça a entrevista  Por enquanto, o cenário de inflação em alta e economia anêmica está mais parecido com o de estagflação, ressaltou Stiles. O que não torna o trabalho do Federal Reserve (Fed) mais fácil, uma vez que tem que colocar um olho na atividade e outro na inflação. "O Fed acabará perdendo nos dois lados de algum modo", disse. Segundo Stiles, o Fed manteve os juros baixos no país por muito tempo no início da década. "Agora tem que mostrar mão firme para ganhar de volta a confiança do mercado", comentou. O economista disse que hoje o maior risco para a inflação é a piora das expectativas. Desde agosto do ano passado a preocupação do Fed passou a ser com a crise desencadeada pelo setor de hipotecas imobiliárias de segunda linha, o subprime, e o caminho foi promover uma política de agressiva de afrouxamento monetário, derrubando os juros de 5,25% para 2%. "Agora o Fed está enviando a mensagem de que fará uma pausa", afirmou. Stiles acredita que os juros ficarão estáveis ou terão uma leve queda até o final do ano, podendo chegar a 1,5%. Mas em 2009, os juros deverão caminhar mais para um patamar neutro, encerrando o ano ao redor de 4%. O economista disse não estar otimista com a devolução de impostos pelo governo como parte do pacote de ajuda fiscal. "A devolução de impostos dará uma ajuda marginal. Alivia a dor, mas não dá um impulso à economia", disse Stiles. Ele afirmou que o consumidor norte-americano está sendo muito afetado pela inflação e pelas demissões e as perspectivas não são boas. A inflação deve continuar como preocupação, com alta de alimentos, energia e o petróleo não deverá ajudar a amenizar o cenário. A commodity, segundo ele, pode até recuar, mas não mais para abaixo de US$ 100. Stiles disse que com a pressão de energia e alimentos é melhor observar o índice cheio de inflação e não mais o núcleo. "A volatilidade vem de alimentos e energia e quem olha o núcleo está errado. Colocar o foco no núcleo é menos problema para o Fed, mas o americano vive a inflação como ela é", explicou. Para ele, a economia norte-americana tem um longo caminho pela frente até voltar aos trilhos. "A economia vai começar a crescer de novo mais para perto de 2009, mas para voltar a crescer 3% levará muito mais tempo".

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