Euforia externa traz recomposição de prêmios aos DIs

Mercado de juros futuros mirou os desdobramentos da reunião da União Europeia

Márcio Rodrigues, da Agência Estado,

27 de outubro de 2011 | 16h48

Como a ata do último encontro do Comitê de Política Monetária (Copom) apenas reforçou a ideia de que o ajuste da taxa Selic deve ter prosseguimento nas próximas reuniões, sem esclarecer a durabilidade desse ciclo, o mercado de juros futuros se voltou para os desdobramentos do plano europeu para minimizar a crise na região e recompôs os prêmios que havia cedido ontem. Isso porque os investidores ao redor do globo parecem "encantados" com as medidas anunciadas pelas autoridades europeias, ainda que muitos analistas questionem a efetividade do plano no médio e longo prazos. No entanto, ninguém titubeou para ir às compras, garantindo avanço consistente para bolsas e commodities. Internamente, os dados do mercado de trabalho indicaram alguma acomodação e contribuíram para limitar a alta das taxas ao longo da curva a termo.

Assim, ao término da negociação normal na BM&F, o DI janeiro de 2013 (583.165 contratos) estava em 10,39%, de 10,33% no ajuste, enquanto o DI janeiro de 2014, com giro de 148.605 contratos, subia a 10,70%, de 10,53%. Entre os longos, a taxa projetada pelo DI janeiro de 2017 (38.360 contratos) avançava para 11,29%, na máxima, ante 11,14% ontem, e o DI janeiro de 2021 (apenas 1.140 contratos) indicava 11,33%, também na máxima, de 11,19% na véspera.

O plano anunciado pelos europeus para conter a crise prevê um perdão de 50% da dívida da Grécia, incluindo a participação do setor privado, a fim de trazer o endividamento do país helênico para 120% do PIB até 2020. Os governos da zona do euro vão oferecer 30 bilhões de euros para financiar garantias para o setor privado, como parte do acordo para a redução da dívida grega. O plano ainda envolve uma alavancagem de quatro a cinco vezes no tamanho da Linha de Estabilidade Financeira Europeia (EFSF, na sigla em inglês), podendo chegar a ? 1 trilhão e também a recapitalização dos bancos europeus, que não teve seu valor confirmado, mas é estimada em cerca de 106 bilhões a 107 bilhões de euros.

Em entrevista ao AE Broadcast Ao Vivo, o economista-chefe do Citibank Brasil e ex-chefe do Departamento de Estudos e Pesquisas (Depep) do Banco Central, Marcelo Kfoury, afirmou que a euforia nos mercados acionários globais hoje, após os anúncios da UE para a crise das dívidas na região, não deve ter característica duradoura. "(Este) é um alívio temporário. Eventos de crédito similares ao que ocorreu com o Lehman Brothers em 2008 foram afastados, mas continuam as ameaças de recessão. A questão do crescimento econômico não foi solucionada", disse.

No âmbito doméstico, a agenda também foi pesada. A ata do último encontro do Copom, divulgada hoje, reforçou a avaliação de que o ciclo de afrouxamento monetário continua. O documento também reiterou a avaliação do Copom de que o ambiente econômico carrega um nível de incerteza "acima do usual". No parágrafo 31, a autoridade monetária avalia que o cenário para a trajetória futura da inflação acumulou sinais favoráveis desde a última reunião do colegiado, realizada em 31 de agosto.

Joga a favor da nova estratégia de política monetária os dados do mercado de trabalho apresentados hoje. Ainda que o nível de desemprego tenha se mantido em 6% e seja o menor para um mês de setembro na série do IBGE, houve queda da renda média real de 1,8% em setembro ante agosto e a massa de renda real habitual recuou 1,9% em setembro em relação ao mês anterior, o que foi visto por muitos analistas como o primeiro sinal de acomodação do emprego.

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