Euforia não esmorece otimistas

A Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa), que subiu forte na última sexta-feira, tem motivos para realizar lucros na abertura do mercado desta segunda-feira, mesmo já tendo fechado em baixa no último pregão, mas analistas continuam otimistas, argumentando o fluxo de recursos e a queda do risco Brasil. Numa primeira avaliação, a euforia vista no pregão de sexta parece ter sido exagerada. A compra de ações foi tão frenética que a projeção do volume de negócios prometeu superar o R$ 4 bilhões, algo inédito para um dia normal de negócios. Ao longo do dia os preços perderam força, mas isso aconteceu quando o volume de negócios foi declinando, o que indica que a maioria permaneceu otimista. A alavanca no último pregão foi o anúncio da oferta de compra da maior siderúrgica do planeta, a indiana Mittal, para os acionistas de sua maior concorrente, a européia Arcelor. No último domingo, no entanto, o conselho da administração da Arcelor sugeriu que os acionistas da Arcelor rejeitem a proposta. O mercado se animou na sexta-feira porque o preço por ação da oferta hostil da Mittal era 27% maior do que o verificado no encerramento do pregão da bolsa francesa para as ações da Arcelor. A maioria dos investidores, pelo que se viu pelo volume de negócios e pela alta do preço dos papéis, passaram a acreditar que o prêmio pago pelo controle do grupo Arcelor era um indício de que as ações do setor estavam baratas na bolsa. A maior alta, como era de se esperar, foi a Arcelor Brasil, que incorporou as empresas Companhia Siderúrgica de Tubarão, a Belgo Mineira, a Vega do Sul e a Acesita, com a ação tentando acompanhar a oferta feita pela grupo no exterior. O papel foi a maior alta da Bovespa na sexta-feira. Subiu 13,54% e movimentou o maior giro financeiro do dia, de R$ 276,5 milhões. Agora, a rejeição da oferta pela Arcelor poderá fazer a Mittal buscar outra opção, já que empresa indiana tem dinheiro para aquisições e isso pode servir de argumento para os investidores mais otimistas. Aqui no Brasil, analistas acreditam que várias empresas podem estar na mira de gigantes internacionais, como a Companhia Siderúrgica Nacional e a Usiminas. Essa consolidação, no entanto, pode minar o poder de repasse de preços das mineradoras, que nos últimos anos conseguiram repassar integralmente seus custos para as siderúrgicas. É o caso da Vale do Rio Doce e a rejeição do negócio pela Arcelor favorece a alta dos papéis da companhia, atrasados em relação a outras ações como Petrobras, embora ainda em linha com o Ibovespa.

Agencia Estado,

30 de janeiro de 2006 | 07h00

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