Euro cai ante dólar e iene

Dado sobre setor privado europeu pressiona moeda

Gustavo Nicoletta, da Agência Estado,

23 de agosto de 2010 | 18h18

O euro recuou em relação ao dólar e ao iene nesta segunda-feira, pressionado pelo ressurgimento das preocupações com a sustentabilidade da economia mundial após a divulgação de indicadores decepcionantes sobre a atividade do setor privado europeu.

 

Segundo Daragh Maher, vice-diretor de estratégia de câmbio do Crédit Agricole CIB em Londres, a fraqueza do euro é um legado da crise da dívida soberana europeia e há receios crescentes com a possibilidade de as medidas de austeridade adotadas pelos países da região afetarem negativamente a economia local.

 

O índice dos gerentes de compras (PMI) sobre a atividade do setor privado da zona do euro encolheu para 56,1 em agosto, de 56,7 em julho. A leitura acima de 50 indica expansão da atividade, mas a redução do índice aponta que esse crescimento perdeu fôlego. O dado, divulgado hoje pela manhã, reforçou preocupações surgidas na sexta-feira, dia em que o presidente do banco central da Alemanha, Axel Weber, afirmou que o Banco Central Europeu (BCE) deve continuar oferecendo liquidez ilimitada para os bancos europeus em 2011.

 

Segundo o estrategista de câmbio Ron Leven, do Morgan Stanley, "o euro está mais vulnerável a um desaquecimento. Os países do sul da Europa que estão passando por esses solavancos, tentando diminuir os déficits, não teriam a arrecadação esperada" num contexto de desaceleração.

 

No final da tarde, o euro caía para US$ 1,2665, de US$ 1,2706 na sexta-feira, e tinha queda para 107,95 ienes, de 108,71 ienes na sexta-feira, com mínima intraday de 107,70 ienes. Na semana encerrada em 17 de agosto, o volume líquido de posições vendidas em euro subiu para US$ 2,3 bilhões, de US$ 595 milhões na semana passada, de acordo com dados da Comissão de Negociação de Futuros de Commodities (CFTC, em inglês).

 

O dólar caía para 85,25 ienes, de 85,75 ienes na sexta-feira, em meio a expectativas de que as autoridades do Japão levarão mais tempo do que o originalmente previsto para conter a apreciação do iene após uma autoridade do banco central japonês afirmar que o presidente da instituição, Masaaki Shirakawa, e o primeiro-ministro do país, Naoto Kan, não discutiram medidas nesse sentido durante uma conversa ao telefone.

 

A libra avançava para US$ 1,5520, de US$ 1,5490 na sexta-feira, enquanto o índice do dólar - que monitora o valor da divisa em relação a outras moedas - tinha alta para 83,143, de 82,437. As informações são da Dow Jones.

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