Euro cai com colapso de banco espanhol e apostas contra a moeda

Embora tenha caído quase 1,5% em relação ao dólar, o euro manteve-se acima da mínima de quatro anos

Álvaro Campos, da Agência Estado,

24 de maio de 2010 | 17h58

O euro caiu fortemente nesta segunda-feira com as preocupações sobre o sistema financeiro da zona do euro, depois que a Espanha teve de intervir numa pequena instituição de poupança. Depois de se fortalecer na semana passada, com os investidores saindo de posições contra o euro, a moeda comum europeia começou a semana com os traders novamente acumulando apostas anti-euro.

Embora tenha caído quase 1,5% em relação ao dólar, o euro manteve-se acima da mínima de quatro anos, de US$ 1,2143, atingida na semana passada.

No final da tarde desta segunda-feira, o euro estava em US$ 1,2383, de US$ 1,2583 no final da tarde de sexta-feira. O dólar estava a 90,40 ienes, de 89,64 ienes, enquanto o euro estava a 111,92 ienes, de 112,80 ienes. A libra britânica estava a US$ 1,4438, de US$ 1,4445.

O índice ICE Dollar, que monitora a cotação da moeda americana ante uma cesta de moedas, estava em 86,295, de 85,348.

A quebra do banco espanhol, apesar de pequena, está levando alguns investidores a se preocuparem que a crise da dívida soberana da zona do euro vai se espalhar para o setor privado, prejudicando as perspectivas de uma recuperação da recessão mundial.

"Sem um setor financeiro saudável, é quase impossível para qualquer país ter um crescimento sustentável", disse Dan Cook, analista sênior de mercado da IG Markets, em Chicago.

A Espanha ter assumido um pequeno banco de poupanças provavelmente não é um indicativo de que um problema maior poderá abalar o sistema financeiro do país, dizem os analistas, mas mesmo assim fez com que a atenção dos investidores se concentrasse de novo nos desafios enfrentados pela zona do euro, que tem uma dívida alta e um crescimento vagaroso.

Na manhã de sábado, o banco central da Espanha assumiu o controle do banco de poupanças CajaSur, que tinha 13 bilhões de euros em empréstimos e detinha 0,6% do total de ativos do sistema financeiro espanhol. O CajaSur era considerado o elo mais fraco entre os bancos de poupanças. Sua solvência havia se deteriorado significativamente pelo crescimento rápido dos empréstimos imobiliários ruins.

Muitas instituições de poupanças se expandiram mais rapidamente do que seus pares durante o boom de uma década dos setores de construção e imobiliário, em parte porque eles emprestaram mais para incorporadoras locais. Quando a bolha residencial começou a murchar e a economia estagnou, os empréstimos ruins dos bancos espanhóis cresceram em uma velocidade sem precedentes.

Enquanto isso, os investidores vão continuar a monitorar quaisquer sinais de valorização do yuan da China depois dos dois dias do Diálogo Estratégico e Econômico entre o país e os Estados Unidos, que começou nesta segunda-feira. Se crescerem as expectativas de que a China provavelmente vai valorizar o yuan em detrimento da economia do país - o motor do crescimento global - os investidores podem fugir para o porto seguro do iene, disseram negociantes.

O mercado de câmbio não reagiu às declarações do secretário do Tesouro dos EUA, Timothy Geithner, nesta segunda-feira, de que a China deveria permitir que sua taxa de câmbio refletisse as forças do mercado. Geithner também viu com bons olhos o reconhecimento por parte das autoridades chinesas que uma reforma na taxa de câmbio é uma parte importante de uma agenda mais ampla de reformas.

O presidente chinês, Hu Jintao, abriu as conversas reiterando a promessa de continuar a reforma do regime de câmbio da China. As informações são da Dow Jones.

 

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