Euro cai e taxa de retorno a investidor da Grécia tem recorde

Especulações sobre uma reestruturação da dívida do governo grego e a incerteza sobre o apoio da Finlândia a futuros programas de resgate para países da zona do euro pesam sobre a moeda europeia

18 de abril de 2011 | 08h42

As especulações sobre uma reestruturação da dívida da Grécia e a incerteza sobre o apoio da Finlândia a futuros programas de resgate para países da zona do euro pesam sobre a moeda europeia e sobre os mercados de dívida nesta manhã. O euro chegou à mínima do dia de US$ 1,4298 no começo do dia, enquanto o custo do seguro da dívida soberana de governos europeus aumentou.

No início da manhã, o yield (retorno ao investidor) dos bônus gregos de dois anos operavam no maior nível desde a criação do euro, a 18,24%. O spread (prêmio) dos swaps de default de crédito (CDS) da Grécia subia 86 pontos-base, para 1.222 pontos-base, de acordo com a empresa de pesquisas Markit. Às 8h47 (de Brasília), o euro caía para US$ 1,4282, de US$ 1,4432 no fim da tarde de sexta-feira.

De acordo com fontes ouvidas pela Dow Jones ontem, a Grécia sugeriu que seus parceiros da zona do euro considerem uma extensão do período de pagamento de sua dívida - um pedido que foi negado pela Comissão Europeia e pelo Banco Central Europeu (BCE). A notícia somou-se aos receios sobre a necessidade de uma reestruturação da dívida grega antes do lançamento, em 2013, do fundo permanente de socorro aos países da zona do euro, o Mecanismo de Estabilidade Europeu (ESM, na sigla em inglês).

As preocupações com os países mais fracos da zona do euro também foram acentuadas pelas eleições nacionais realizadas ontem na Finlândia, na qual o Partido dos Verdadeiros Finlandeses obteve 19% dos votos. O partido é contrário aos programas de resgate para membros da zona do euro e uma das promessas de campanha foi a oposição a um socorro para Portugal.

Com o resultado das eleições, aumentaram as chances de os Verdadeiros Finlandeses fazerem parte do novo governo de coalizão do país. Se o novo governo se opuser a futuros resgates para membros da zona do euro, em teoria poderá impedir a União Europeia de conceder novos empréstimos emergenciais, já que eles precisam ser aprovados unanimemente por todos os países do bloco.

Os resultados das eleições finlandesas "impõem significativas dúvidas sobre o pacote de resgate para Portugal" porque a Finlândia "é o único membro da zona do euro que se reserva o direito de pedir aprovação parlamentar" para um socorro, observou Richard McGuire, estrategista de renda fixa do Rabobank, em nota a clientes. As informações são da Dow Jones.

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