Euro reduz queda ante dólar com comentários sobre ajuda à Grécia

Mercado se animou com declarações da chanceler alemã, Angela Merkel, de que o pacote de ajuda pode estar pronto antes de 19 de maio

Ricardo Gozzi, da Agência Estado,

26 de abril de 2010 | 19h19

O euro estava praticamente estável ante o dólar no fim da tarde de hoje em Nova York, recuperando a maior parte do terreno perdido durante a sessão em meio a comentários encorajadores de autoridades da zona do euro que ajudaram a aplacar a preocupação quanto ao cronograma de um pacote de ajuda financeira à Grécia.

 

Declarações feitas pelas chanceler alemã, Angela Merkel, e por outras autoridades europeias segundo as quais o pacote de ajuda pode estar pronto antes de 19 de maio, quando a Grécia terá de honrar € 8,5 bilhões em dívidas, ajudaram a afastar temores imediatos dos investidores quanto à capacidade grega de cumprir seus compromissos financeiros.

 

Merkel declarou em Berlim que a Grécia deve ter pela frente duras condições para conseguir a ajuda financeira de seus parceiros na zona do euro, fornecendo inclusive evidências de que planeja adotar mais medidas para economizar dinheiro. Segundo ela, o Fundo Monetário Internacional (FMI) e a Grécia precisam também chegar a um acordo quanto a um "programa defensável e digno de crédito" para resolver os problemas financeiros do país, e essas discussões podem se estender até o início de maio.

 

"Parece que a Alemanha vai aparecer com alguma espécie de solução de curto prazo quanto à aprovação dos recursos para a Grécia", declarou Amelia Bourdeau, estrategista cambial da UBS AG. "Isso realmente deu ao euro um pouco de força porque era justamente a questão alemã - e o que vai acontecer no seu Parlamento - que estava deixando o mercado um pouco hesitante."

 

A moeda comum europeia também se beneficiou de comentários de Axel Weber, presidente do banco central alemão e detentor de uma cadeira no conselho de governadores do Banco Central Europeu (BCE). Weber disse à cadeia de notícias CNBC que "não há risco de colapso do euro", apesar da crise da dívida grega e de temores de que Espanha e Portugal, outros países da zona do euro com alto déficit orçamentário, causem turbulência nos mercados.

 

Apesar da recuperação ocorrida hoje, analistas consideram improvável que o euro possa valorizar-se muito além disso no futuro próximo, especialmente ante o dólar. Há expectativa de que a aceleração da recuperação da economia norte-americana possa vir a levar o Comitê de Mercado Aberto do Fed (Fomc, pelas iniciais em inglês) a fazer uma análise mais positiva da economia na reunião desta semana, o que traria expectativas de uma possível elevação das taxas básicas de juro nos Estados Unidos. Não se espera que o Fed altere suas taxas de juro ultrabaixas na reunião desta semana.

 

No fim da tarde, em Nova York, o euro era negociado a US$ 1,3364, de US$ 1,3372 na sexta-feira; o dólar era cotado a 94,03 ienes, de 94,06 ienes no fim da tarde de sexta; a libra estava em US$ 1,5455, de US$ 1,5369 no fim da semana passada. As informações são da Dow Jones.

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