Euro renova mínima em quatro anos, a US$ 1,2134

Moedas consideradas mais seguras em momentos de estresse - como o iene e o dólar - subiram com a notícia

Cynthia Decloedt, da Agência Estado,

19 de maio de 2010 | 08h40

O euro caiu para uma nova mínima em quatro anos contra o dólar na Ásia, a US$ 1,2134, dando continuidade às perdas de ontem com a decisão da Alemanha de proibir posições vendidas a descoberto em bônus governamentais denominados em euros, swaps de default de crédito de governos da zona do euro e ações das 10 maiores instituições financeiras da Alemanha.

 

Moedas consideradas mais seguras em momentos de estresse - como o iene e o dólar - subiram com a notícia, enquanto outras consideradas mais arriscadas como a libra esterlina, o dólar australiano e o dólar canadense sofreram. As moedas emergentes, como a lira turca, o zloty polonês, o rand sul-africano e a coroa tcheca, também caíram.

 

Às 8h08 (de Brasília), o euro caía para US$ 1,2197, de US$ 1,2209 no fim da tarde ontem em Nova York; o dólar cedia para 91,24 ienes, de 92,34 ienes ontem em Nova York; e a libra operava em baixa a US$ 1,4276, de US$ US$ 1,4252.

 

Analistas estão incertos sobre como exatamente a medida tomada pelo governo alemão afeta o euro, sobre quais são de fato os instrumentos que serão atingidos por ela e temendo que outros governos da zona do euro adotem o mesmo caminho. Tudo isso está mexendo com os nervos já abalados dos investidores e, com a dificuldade agora para a realização de posições negativas na dívida, o euro está sentindo a tensão.

 

"O trade mais óbvio agora para os investidores especulativos é via euro", disse o analista de moedas do BNP Paribas, Ian Stannard. "Mas esse movimento tem amplas implicações para os investidores de longo prazo. Pode desacelerar a entrada desse grupo no euro e até causar saídas. O movimento também levanta questões sobre o status do euro como moeda de reserva", acrescentou.

 

"O que aprendemos nessa crise é que toda ação tem uma reação equivalente e oposta", afirmou o estrategista de crédito do Deutsche Bank, Jim Reid. "Se as autoridades limitarem a atividade dos livres mercados em certas áreas, o risco é o de que a pressão se mova para outro lugar. Nesse caso, o euro foi deixado exposto", acrescentou.

 

O iene, moeda segura nas transações contra o euro e também contra o dólar, foi sustentado ainda pela sinalização positiva do FMI sobre as perspectivas econômicas do Japão. O fundo estimou que o PIB japonês irá crescer 2% em 2010 e em 2011.

 

Paralelamente, a ata da reunião de maio de política monetária do Banco da Inglaterra mostrou que unanimidade na votação para manutenção do juro em nível recorde de baixa, apesar da modesta pressão de alta da inflação. A ata não teve impacto na libra. As informações são da Dow Jones.

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