Euro sobe com ajuste de posições

Moeda única europeia chegou a US$ 1,2438 e bateu 98,87 ienes, o maior nível em ao menos sete semanas

Sergio Caldas, da Agência Estado,

21 de agosto de 2012 | 09h33

O euro atingiu seu nível mais alto em pelo menos duas semanas nesta terça-feira, após investidores com apostas negativas na moeda ajustarem suas posições para o caso de o Banco Central Europeu acenar com alguma surpresa positiva no mês que vem.

A moeda única europeia chegou a US$ 1,2438 e bateu 98,87 ienes, o maior nível em ao menos sete semanas, após a mudança de posições no mercado. Na ausência de notícia relevantes, analistas dizem que crescentes expectativas de que o BCE assume um papel mais ativo na solução da crise fiscal europeia estão por trás do ajuste.

"O movimento foi mais causado por mudança de posições do que qualquer alteração real no sentimento", disse o Citigroup, em nota a clientes.

Especulação de que o BCE está considerando limitar os yields (retorno ao investidor) dos países da zona do euro que mais sofrem os efeitos da crise continua a reverberar, embora a própria instituição já tenha vindo a público dizer que é muito cedo para comentários sobre a forma de possíveis ações futuras.

"Se o BCE realmente estabelecer um teto para os yields, esta seria uma solução de forte impacto, que viria para mudar o jogo", disse Jacó Rouw, gerente de investimentos da ING Investment Management.

Os yields das nações europeias em dificuldades, como Espanha e Itália, já recuaram em meio a expectativas de que o BCE anuncie medidas para ajudar a diminuir a tensão na zona do euro em sua próxima reunião, em 6 de setembro.

Participantes do mercado também esperam ter sinais de futuras medidas de Jean-Claude Juncker, chefe do grupo de ministros das Finanças da área do euro, que visitará a Grécia nesta quarta-feira. No dia seguinte, será a vez de a chanceler da Alemanha, Angela Merkel, e o presidente da França, François Hollande, se reunirem.

Declarações do político alemão Norbert Barthle, do partido governista União Democrata Cristã (CDU, na sigla em alemão), também estariam sustentando o euro, segundo analistas da Brown Brothers Harriman (BBH). Em entrevista à imprensa, Barthle teria dito que "pequenas concessões" à Grécia são possíveis desde que Atenas mostre disposição para cumprir as principais metas estabelecidas pelo programa de ajuda oferecido ao país.

A libra também se beneficiou da alta do euro e chegou a ser cotada a US$ 1,5781, o maior valor em pelo menos dois meses, mas perdeu terreno após a divulgação de que o governo do Reino Unido tomou mais empréstimos do que o esperado em julho. A tomada de empréstimos líquidos pelo setor público, que é a medida preferida do governo britânico para o déficit orçamentário, foi de 557 milhões de libras (US$ 874,2 milhões) no mês passado. A expectativa para julho era de superávit.

Às 9h15 (pelo horário de Brasília), o euro subia para US$ 1,2427, de US$ 1,2346 no fim da tarde de segunda-feira, e para 97,80 ienes, de 98,01 ienes, enquanto o dólar avançava para 79,50 ienes, de 79,42 ienes. A libra operava a US$ 1,5760, de US$ 1,5710 na segunda-feira. O índice do dólar medido pelo Wall Street Journal estava em 71,408, de 71,710. As informações são da Dow Jones.

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