Euro tem nova mínima em quatro anos com anúncio da Alemanha

Moeda caiu 1,5% ante ao dólar com decisão do país de limitar operações especulativas a partir de quarta-feira

Álvaro Campos, da Agência Estado,

18 de maio de 2010 | 18h54

O euro caiu nesta terça-feira para uma nova mínima em quatro anos depois que a Alemanha anunciou que vai limitar certos investimentos especulativos, exacerbando a venda da moeda única europeia. O euro caiu quase 1,5% em relação ao dólar e teve uma queda de mais de 1,56% frente ao iene, pois os investidores - já receosos com a periferia da zona do euro, que lida com uma situação fiscal instável - tomaram as medidas da Alemanha como mais um alerta sobre um problema que ameaça levar mais turbulência aos mercados financeiros, disse Win Thin, estrategista sênior de câmbio da Brown Brothers Harriman, em Nova York.

A proposta da Alemanha limita as opções dos investidores que querem manifestar uma visão negativa sobre a zona do euro, disse David Gilmore, sócio da Foreign Exchange Analytics, em Essex (Connecticut). Se os investidores não podem vender a descoberto - ou apostar contra - os bancos alemães, as dívidas soberanas da zona do euro ou contratar seguros para se proteger contra um calote nessas dívidas, a proposta "vai simplesmente levar mais investidores e especuladores a expressar uma visão negativa sobre o câmbio", disse Gilmore. A proposta pode significar "uma queda futura ilimitada do euro".

No final da tarde desta terça-feira o euro era negociado a US$ 1,2209, de US$ 1,2392 no final da tarde de segunda-feira. O euro estava a 112,75 ienes, de 114,33 ienes. O dólar estava a 92,34 ienes, de 92,50 ienes. A libra britânica era negociada em US$ 1,4328, de US$ 1,4470.

O índice ICE Dollar, que registra a cotação da moeda norte-americana ante uma cesta de moedas, estava a 87,089, de 86,149. O índice alcançou seu nível mais alto desde março de 2009, com os investidores fugindo de moedas de maior risco, em busca da segurança do dólar.

"Não há nada nesse panorama que seja favorável para o euro", disse Thin. "Eles perderam um monte de oportunidades", acrescentou, referindo-se aos líderes da zona do euro, que lutam com suas dívidas soberanas. "O mercado os está punindo por serem indecisos".

A Alemanha vai proibir a prática do "naked short selling" com as ações de 10 das principais instituições financeiras da Alemanha e os credit default swaps (CDS) de bônus soberanos da zona do euro a partir da 0h de quarta-feira, de acordo com a porta-voz do Ministério de Finanças do país, Jeanette Schwamberger. O "naked short selling" ocorre quando um participante do mercado vende a descoberto um ativo financeiro sem antes ter tomado emprestado esse ativo ou sem ter garantias de que poderia realizar tal empréstimo.

A queda do euro já havia se acentuado à tarde com as declarações da chanceler Angela Merkel, que anunciou em Berlim que a Alemanha apoiaria um imposto para o setor do mercado financeiro, para contribuir com os custos da crise da dívida soberana da zona do euro. Nesta altura, diz Thin, as transações são contra o euro e, com a moeda comum tendo caído na mínima de hoje abaixo de US$ 1,22, há poucos obstáculos no caminho para ela chegar a US$ 1,18. As informações são da Dow Jones.

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